Entenda as eleições italianas

A Constituição italiana estabeleceu em 1948 um parlamento bicameral, que consiste em uma Câmera dos Deputados e um Senado; um sistema judiciário consolidado e um sistema executivo composto de um Conselho de Ministros, liderado pelo primeiro-ministro. O presidente da república é eleito pelo parlamento para mandatos de sete anos, e este elege o primeiro-ministro, que indica os outros ministros para formar o governo. O gabinete do premiê é considerado o "governo" de fato, uma vez que o premier deve ter maioria no legislativo. Diferente do sistema eleitoral brasileiro, onde as "estrelas" da eleição são os candidatos aos cargos do Poder Executivo, na Itália as atenções do eleitorado se focam nos candidatos das casas parlamentares. O Legislativo O parlamento italiano é formado em uma Câmara dos Deputados e um Senado, ambos eleitos por votação direta para mandatos de cinco anos. Somente pessoas com mais de 25 anos podem votar nos senadores. Para a Câmara dos Deputados, o voto está liberado para maiores de 18 anos. O eleitor escolhe um partido no qual irá depositar todos os seus votos, mas dentro do partido escolhido ele pode distribuir seus sufrágios entre os políticos que desejar. Leis podem ser criadas na Câmara de deputados ou no Senado e, para serem aprovadas, precisam da maioria em ambas as Casas. Câmara dos Deputados - Nas eleições para a Câmara dos Deputados, o território italiano é dividido em 32 regiões eleitorais. De acordo com a legislação italiana de 1993, o voto é direto para 75% dos postos no parlamento. Os outros 25% dos postos parlamentares são distribuídos de acordo com a percentagem de votos que cada partido recebeu. A Câmara dos Deputados possui oficialmente 630 membros (mas de fato, são apenas 619 depois das eleições italianas de 2001). Senado - Nas eleições para o Senado, o território italiano é dividido em 20 regiões eleitorais. O Senado é composto por 315 membros, eleitos pelo voto popular, e mais cinco membros vitalícios, nomeados pelo presidente. Inovações Em dezembro de 2001 o Parlamento da Itália aprovou a lei que reserva seis cadeiras no Senado e 12 na Câmara dos Deputados para os italianos no exterior. Para tal, foram criadas 6 regiões eleitorais: América do Sul; América do Norte e Central; Europa; África; Oceania, Ásia e Antártida. Uma nova lei permite que cidadãos italianos permanentemente residentes no exterior possam votar em seus candidatos pelo correio, desde que devidamente cadastrados nos países em que residem. Principais Candidatos Silvio Berlusconi - Nasceu em 29 de setembro de 1936, é o atual primeiro-ministro da Itália. É o líder e fundador do partido de centro-direita Forza Itália, desde 1994. É presidente do clube de futebol italiano A. C. Milan, e dono da rede de televisão Mediaset SpA, principal rede da Itália. Na economia, Berlusconi se mostrou conservador e considerado por alguns críticos retrógrado, já que a Itália teve crescimento zero durante sua gestão. Sua política externa tem sido considerada pró-americana, chegando a discussões com outros países europeus por sua posição. Foi um dos primeiros países a apoiar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em sua guerra no Iraque. Uma das características de Berlusconi é sua capacidade para cometer gafes. Disse que o comunismo na China adotou uma prática de ferver crianças para adubar a terra das plantações. "Isso não é uma piada, é um fato comprovado historicamente," disse Berlusconi. O premiê também considera que o único político que fez mais que ele foi "obviamente Napoleão", e ainda declarou: "Sou o Jesus Cristo da política, uma vítima paciente. Agüento tudo e me sacrifico por todos." A coalizão de Berlusconi é o Partido Popular Europeu (PPE), um agrupamento partidário democrata cristão/conservador. De acordo com o PPE (ou EPP, em italiano) este é "uma família de centro político cujas raízes estão no fundo da História da civilização européia. Unifica partidos nacionais que pensam da mesma forma, nos estados membros da União Européia (UE) e em países que pretendem aderir a ela..." O partido foi fundado em 1976 e em 1999, nas eleições do Parlamento Europeu, se tornou a maior facção, com 233 dos 626 assentos. O PPE é atualmente construído pelos seguintes partidos na Itália: Romano Prodi - Nascido em 9 de agosto de 1939, foi ministro da Indústria italiana em 1978, durante o governo de Giulio Andreotti. Desde então continuou presente na política italiana. Em 1995 se tornou representante da coalizão de centro-esquerda Ulivo, e em 1996 o primeiro-ministro italiano. Seu governo caiu em 1998 com a retirada do suporte do Partido da Refundação Comunista, permitindo que Massimo D´Alema formasse o governo. De setembro de 1999 até 18 de novembro de 2004 foi presidente da Comissão Européia. É líder da coalizão A União, que faz oposição contra Silvio Berlusconi e têm cerca de cinco pontos a mais nas pesquisas de intenções de voto. A coalizão de Prodi leva o nome de União. O grupo é herdeiro direto da Oliveira, coalizão que representou os partidos de centro-esquerda nas eleições gerais de 1996 e 2001. Entretanto, A União inclui partidos de extrema esquerda que não faziam parte da Oliveira.

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