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Entenda as eleições que levarão 714 milhões às urnas na Índia

543 deputados serão eleitos no maior exercício democrático do mundo, dividido em 5 etapas que levam um mês

Da Redação, com agências internacionais,

15 de abril de 2009 | 17h50

Cerca de 714 milhões de indianos deverão comparecer às urnas na Índia a partir desta quinta-feira, 16, para uma votação legislativa que irá durar quase um mês - a última das cinco etapas acontece em 13 de maio. O pleito impressiona pelos números: 6,1 milhões de agentes e observadores internacionais cuidarão da segurança nos mais de 828 mil pontos de votação. Mais de um milhão de urnas eletrônicas serão usadas, assim como milhares de urnas tradicionais, que serão transportadas por elefantes e camelos até os pontos mais distantes do país de 1,1 bilhão de habitantes, no maior exercício democrático do planeta.

 

Serão eleitos 543 deputados para a Assembleia Popular, que representarão os 35 Estados e territórios indianos. Mais de mil partidos se registraram para a votação. As legendas são reconhecidas pelos símbolos, como elefantes, mãos e estrelas, além de outros menos previsíveis, como arco e flechas e telefones. A principal disputa será entre a coalizão do governo e o principal bloco de oposição, liderado pelo Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu.

 

A democracia indiana é motivo de orgulho para a maioria da população. Há anos o país conviveu com o estigma de que uma democracia tão grande e diversa nunca funcionaria em uma região marcada pela presença regimes totalitários. Entretanto, ao longo dos 62 anos que se passaram desde sua independência, a Índia passou por um período de apenas 21 meses de exceção democrática - nos anos 1970.

 

A política indiana foi historicamente dominada pelo Partido do Congresso Indiano, de figuras como Indira Gandhi e Jawaharlal Nehru. Entre 1998 e 2004, o BJP governou o país. No nível federal, o Partido do Congresso e o BJP são as principais forças que polarizam a política da Índia.

 

No nível local, o sistema político indiano é muito mais complexo e reflete a diversidade étnica, cultural e religiosa do país. Os hindus formam 85% da população indiana, mas o país é uma miríade de culturas e religiões: sikhs, católicos, parsis, jainistas, budistas, entre outros. Além disso, a sociedade indiana é dividida em castas - que não se limitam mais apenas à religião hindu.

 

Desde os anos 80, partidos regionais que se apoiam em interesses de castas, religiões e línguas diferentes estão conquistando prefeituras e governos estaduais, diminuindo a influência do Partido do Congresso e do BJP. Cada Estado tem partidos diferentes e, para governar, os dois principais partidos nacionais precisam formar a maior coligação possível.

 

Pesquisas mostram que o Partido do Congresso e o BJP devem conquistar menos de 150 das 543 vagas no Parlamento nas próximas eleições gerais - número muito inferior ao de 273 vagas necessárias para governar o país como maioria. "O Partido do Congresso e o BJP estão perdendo a sua importância. O que estamos vendo são coalizões multipartidárias no nível nacional", afirmou o historiador e escritor Ramachandra Guha, autor do livro A Índia após Gandhi: a história da maior democracia do mundo à BBC.

 

DALITS, OS INTOCÁVEIS

 

Vítimas de uma forte discriminação, os dalits, ou intocáveis indianos, começaram a usar a democracia como uma ferramenta para fazer suas vozes serem ouvidas na Índia, onde, na terça-feira, foi lembrado o nascimento do líder histórico dessa comunidade. Mais de 160 milhões de dalits vivem na Índia, formando uma comunidade heterogênea excluída do sistema hindu de castas que se dedica às tarefas consideradas "impuras" - limpar latrinas, recolher lixo, por exemplo - e que é desprezada pelas demais.

 

Como cada ano, milhões de dalits comemoraram nesta terça-feira o nascimento do líder da comunidade, Bhimrao Ambedkar, mas, desta vez, de olho nas eleições que começam na quinta. Como o voto dessa comunidade - 16% do censo - é determinante em muitas circunscrições, os diferentes partidos tentaram conquistar a simpatia dessa parcela da população para obter uma maioria sólida em um pleito indefinido.

 

Prova disso é que os principais dirigentes do governista Partido do Congresso e do hinduísta BJP participaram nesta terça de atos em homenagem a Ambedkar e tentaram atrair os eleitores dalits, apesar de, historicamente, nunca terem tido muito comprometimento com a causa da comunidade.

 

Os analistas afirmam que os dalits se inclinarão por partidos mais afins à casta, como o Bahujan Samaj Party (BSP), da intocável Mayawati, parte de uma inovadora "Terceira Frente" eleitoral que tem como meta colocar fim ao bipartidarismo na Índia.

 

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