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(AP Photo/Eric Gay, File)
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Entenda as investigações e processos que ameaçam os planos de Donald Trump

Organização Trump e seu diretor financeiro foram acusados por delitos fiscais; presidente é investigado por interferência eleitoral e por conivência com invasão do Capitólio, por exemplo

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2021 | 10h00

NOVA YORK — A Organização Trump, o negócio imobiliário que catapultou Donald Trump para a fama nos tabloides, televisão e, finalmente, a Casa Branca, e seu diretor financeiro foram acusados nesta quinta-feira, 1º, de executar um esquema por 15 anos para ajudar executivos da empresa a evitar o pagamento de impostos, com compensações indiretas.  Essas são as primeiras acusações criminais contra a empresa do ex-presidente dos Estados Unidos desde que os promotores começaram a investigá-la três anos atrás.

A notícia vem no mesmo mês do início de sua turnê pelos Estados Unidos, buscando mobilizar sua base com críticas a seus detratores e aos democratas — missão que se tornou mais difícil após ser banido das principais redes sociais devido ao seu endosso à invasão do Capitólio em 6 de janeiro.

Trump não esconde de ninguém sua ambição de retornar à cena política com uma candidatura à presidência em 2024, mas enfrenta vários processos e investigações que ameaçam freá-lo. Conheça os principais imbróglios judiciais do ex-presidente:

Acusações criminais contra a Organização Trump em Nova York

As acusações desta quinta-feira têm como foco evidências de que Allen Weisselberg e outros executivos das Organizações Trump receberam apartamentos e carros gratuitos da empresa sem declará-los adequadamente em seus Impostos de Renda. Nos Estados Unidos, benefícios deste tipo são habitualmente tributáveis, mas há exceções e as regras não são muito claras.

Documentos obtidos durante as investigações e despachos judiciais indicam que Weisselberg, que ajudou os filhos de Trump, Eric e Donald Jr., a comandarem a empresa familiar enquanto seu pai esteve na Casa Branca, teria recebido regalias ou presentes corporativos estimados em dezenas ou centenas de milhares de dólares. Seu filho, Barry, também teria sido beneficiado.

As acusações formalmente apresentadas pelo procurador de Manhattan, Cyrus Vance, poderão prejudicar a companhia, desencorajando credores e investidores a fecharem negócios. Se for considerada culpada, a empresa provavelmente será multada e poderá sofrer outras punições.

As investigações continuam e a Promotoria ainda pode acusar Trump, especialmente se Weisselberg cooperar com os investigadores e depor contra seu chefe. Há meses, as autoridades tentam pressioná-lo para colaborar e firmar um acordo, mas não tiveram sucesso até aqui.

O ex-presidente já disse ter "100% de confiança" em seu braço direito de longa data — o executivo trabalha na Organização Trump há quase cinco décadas —, e diz que a investigação é guiada por motivações políticas. Em fevereiro, chegou a dizer que se trata da "maior caça às bruxas da História americana".

Inquérito da Procuradoria Geral de Nova York

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, está investigando se a Organização Trump inflou os valores de algumas de suas propriedades para obter empréstimos e, paralelamente, os reduziu para ter maiores benefícios fiscais.

Inicialmente, o caráter tinha inquérito exclusivamente civil, mas em maio James anunciou que trabalharia também na esfera criminal. A mudança coincidiu com a fusão das investigações de seu escritório e as da Promotoria de Manhattan, que têm o mesmo escopo.

Os registros judiciais mostram que James está investigando como a empresa e seus funcionários avaliaram o valor de Seven Springs, uma propriedade de 85 hectares em Westchester, ao norte de Manhattan, comprada em 1995 com o plano de ser transformada em um campo de golfe, algo barrado pela oposição local.

A empresa de Trump disse que a propriedade centenária, que abriga uma mansão de 4,6 mil metros quadrados, era usada como uma casa de campo pela família do ex-presidente, mas ainda assim a usou como um veículo para obter benefícios fiscais.

Investigação sobre supostas interferências eleitorais na Geórgia

Os promotores do principal condado da Geórgia abriram uma investigação criminal sobre as tentativas de Trump interferir no resultado das eleições de 2020 no estado sulista. A vitória de Biden — a primeira vez que um candidato democrata à Presidência ganha no estado desde 1992 — foi essencial para sua chegada à Casa Branca.

A Geórgia foi um dos estados em que Trump concentrou sua cruzada judicial para tentar reverter o voto popular, e pressionou para que o Legislativo local, controlado pelos republicanos, agisse a seu favor.

A investigação é liderada pelo procurador do condado de Fulton, Fani Willis, e tem como um de seus focos o telefonema que Trump fez ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, um republicano, em 2 de janeiro. Diferentemente do cargo homônimo federal, que cuida da diplomacia, uma das funções da posição é supervisionar o processo eleitoral.

Trump pediu para que Raffensperger "encontrasse" os votos necessários para reverter sua derrota nas urnas, segundo uma gravação obtida pelo Washington Post.

Os telefonemas do então presidente, apontam especialistas, podem ter violado ao menos três leis eleitorais do estado: conspiraçao para cometer fraude eleitoral, solicitação criminal para cometer fraude eleitoral e interferência intencional com a performance de obrigações eleitorais.

Trump, contudo, pode argumentar que estava exercendo seu direito de liberdade de expressão e não almejava interferir no pleito.

Difamação de E. Jean Carroll

E. Jean Carroll, autora e ex-colunista da revista Elle, processou Trump por difamação em 2019 após o presidente negar uma acusação de estupro. Carroll alega que ele a estuprou nos anos 1990, em uma loja de departamento em Nova York, e a acusou de mentir para alavancar as vendas de seu livro.

Em agosto de 2020, um juiz estadual permitiu que a tramitação do caso, o que significa que os advogados da escritora poderão solicitar uma amostra de DNA de Trump para ser comparada com o vestido que ela afirma ter usado durante sua ida à loja Bergdorf Goodman.

O Departamento de Justiça dos EUA tomou uma decisão surpreendente em junho, já sob o comando de Biden, de continuar a defender Trump no processo. O argumento dado pelos democratas é que desejam proteger a Presidência, e não a pessoa física Donald Trump.

Ataque de 6 de janeiro ao Capitólio

Trump foi nomeado como réu em processos que dizem respeito à invasão da sede do Congresso americano por seus apoiadores em 6 de janeiro. O incidente coincidiu com a sessão conjunta que certificaria a vitória de Biden nas eleições de 2020, deixando cinco pessoas mortas.

Trump nega responsabilidade pelas cenas de violência em Washington, apesar de horas antes, em um discurso, ter instigado seus seguidores a marcharem ao Capitólio. Por meses, lançou uma ofensiva retórica e judicial — esta última maciçamente fracassada —, para tentar reverter o pleito, fazendo acusações falsas de fraude que submeteram às instituições democráticas ao seu maior teste na História recente americana.

Durante a invasão, Trump tuitou pedindo para que as turbas fossem para casa, mas chamando-as de "muito especiais" e dizendo que as amava.

Dois parlamentares democratas, os deputados Eric Swalwell, da Califórnia, e Bennie Thompson, do Mississippi, também abriram processos paralelos contra Trump e seu advogado pessoal, Rudolph Giuliani, por conspiração para incitar uma insurreição.

Dois policiais do Capitólio, por sua vez, processam o ex-presidente por danos físicos e emocionais durante os ataques, acusando-o de encorajar seus seguidores a bloquear a certificação da vitória de Biden./ REUTERS, AP E AFP

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