Entenda as manifestações estudantis na França

O Contrato Primeiro Emprego (CPE), apresentado ao Legislativo francês pelo premier, Dominique de Villepin, na semana passada, tornará mais fácil aos empregadores demitirem seus funcionários menores de 26 anos sem justa causa durante o período de experiência - os dois primeiros anos do trabalhador na empresa. Os funcionários, então, não terão nenhum vínculo com a empresa ou com o empregador, o que facilitará uma maior rotatividade de trabalhadores. Desse modo, segundo o governo francês, a medida auxiliará os jovens desempregados. Para os críticos, o CPE poderá criar instabilidade nos empregos e acabar com as leis trabalhistas na França. Manifestações A primeira grande manifestação contra a CPE ocorreu na segunda feira, quando cerca de 200 estudantes do ensino médio e universitário invadiram o College de France, uma das mais renomadas instituições do país. Ao mesmo tempo, há dois quilômetros dali, cerca de 100 estudantes formaram uma corrente humana e tentaram marchar até as escadarias da Assembléia Nacional, mas foram contidos pela polícia. Na quarta, 63 das 84 universidades parisienses já haviam sido bloqueadas por estudantes. Além disso, dez partidos e associações políticas de esquerda, entre eles os Partidos Socialista (PS) e o Comunista Francês (PCF), manifestaram por escrito seu apoio à causa. Já na quinta-feira os protestos tornaram-se maiores e mais violentos. A polícia francesa usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para controlar os cerca de 250 mil estudantes que tomaram as ruas de Paris. Outras 200 marchas ocorreram pela França neste dia, reunindo entre 270 mil (segundo a polícia) e 500 mil manifestantes (segundo os estudantes). Cerca de 92 policiais e 18 manifestantes ficaram feridos e 272 pessoas foram presas. Preocupado com a má repercussão da CPE, o presidente francês Jacques Chirac pediu, na sexta-feira, para que o governo dialogasse com os estudantes a fim de acabar com as manifestações e os enfrentamentos com a polícia. Villepin, no entanto, não mostrou sinais de que iria voltar atrás com seu contrato e se limitou a dizer que está "aberto ao diálogo (...) para melhorar o CPE". Os estudantes até agora não deram mostra de que irão abandonar os protestos. Para este sábado estão marcadas várias manifestações em mais de 30 cidades diferentes. Espera-se aproximadamente um milhão de pessoas.

Agencia Estado,

17 Março 2006 | 21h12

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