Nir Elias / Reuters
Além de Netanyahu, há mais 12 postulantes ao cargo de primeiro-ministro de Israel Nir Elias / Reuters

Entenda o que está em jogo nas eleições em Israel

Além do premiê Binyamin Netanyahu, há mais 12 postulantes ao cargo; saiba mais sobre a votação e o cenário político israelense atual

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 11h58

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, buscará o quinto mandato na eleição desta terça-feira, 9, quando serão escolhidos os novos integrantes do 21.º Knesset (Parlamento) do país. Além de Netanyahu, há mais 12 postulantes ao cargo.

O Knesset tem 120 assentos, dos quais a maioria é ocupada pelo Likud, partido do atual premiê e aliados. Desde que Israel foi fundada em 1948, nenhum partido formou maioria absoluta. Entenda abaixo a votação e o que está em jogo no pleito deste ano.

Como está o cenário político atual de Israel?

Netanyahu está no poder há quase 13 anos e enfrenta resistências internas em razão de investigações por desvios de conduta. Em comunicado, o Likud informou que pretende unir “as  fileiras para garantir que os votos da direita não sejam perdidos".

O governo de Netanyahu tem sido marcado pelo colapso dos diálogos de paz com os palestinos, confrontos com o Irã, conflitos armados com o Hamas e hostilidade com relação ao que ele vê como um plano para isolá-lo e deslegitimar o Estado judeu.

Ao mesmo tempo, ele conduziu uma era de crescimento econômico e estabilidade, descongelou as relações com líderes árabes sunitas e expandiu os laços comerciais do país na África, América Latina e Ásia.

Quem está na frente nas pesquisas de intenção de voto?

As pesquisas mais recentes, divulgadas na sexta-feira 5, mostram o Partido Azul e Branco, de Benny Gantz, ligeiramente à frente do Likud. Os posicionamentos políticos dos dois são similares e representam uma reflexão sobre como as políticas israelenses se voltaram cada vez mais para a direita sob o governo de Netanyahu.

Mas enquanto Gantz busca aliados, Netanyahu se volta à extrema direita para fortalecer suas perspectivas para uma maioria parlamentar. O premiê chegou a prometer que começaria a estender a soberania sobre os territórios palestinos ocupados, os quais estes querem para formar um futuro Estado, se for reeleito.

O que torna essa eleição diferente das outras?

O fato de Netanyahu poder ser indiciado. O procurador-geral de Israel anunciou em março que planejava acusar o premiê de corrupção, fraude e quebra de confiança. Uma decisão final sobre as acusações deve ser divulgada até o fim do ano. Sob a lei atual, Netanyahu - caso seja reeleito - não teria de renunciar até uma condenação, mesmo que a nova legislação ou a pressão pública possam forçá-lo a deixar o cargo.

Para Netanyahu, as acusações são uma caça às bruxas partidária sem base alguma. Mas com um primeiro-ministro em exercício a ser acusado, Israel estaria entrando em um terreno legal e político desconhecido, incerteza que tem prejudicado Netanyahu antes mesmo da eleição.

Esta também é a primeira vez que três ex-líderes do Exército (as Forças de Defesa de Israel) se uniram para concorrer ao gabinete. O Azul e Branco é liderado por Gantz e outros dois generais veteranos, Gabi Ashkenazi e Moshe Yaalon, que se juntaram a um partido de centro muito conhecido, o Yesh Atid, liderado por Yair Lapid, um ex-jornalista, apresentador de televisão e ministro de Finanças.

Gantz concordou em entregar o posto de primeiro-ministro a Lapid após dois anos e meio se o partido deles ganhar. Enquanto Netanyahu tem um histórico forte com relação à defesa de Israel, as credenciais militares do Azul e Branco tornaram mais difícil para ele atacar Gantz e seus colegas como fracos no quesito segurança.

Como funciona a votação?

Os eleitores votam em partidos, e não em indivíduos, como candidatos para preencher os assentos do Knesset (Parlamento), que conta com 120 membros. Os assentos são divididos proporcionalmente com base na porcentagem de votos que cada grupo recebe. Qualquer um que consiga 3,25% ou mais de votos obtém ao menos um assento.

Se o partido não conseguir - e muitos partidos menores não conseguem - os votos deles não serão contados, o que aumenta a parcela de assentos concedidos aos outros grupos. Se um partido ganhar ao menos 61 assentos, consegue o direito de formar um governo, mas isso nunca aconteceu na política israelense. Então, assim que os assentos forem divididos, os partidos tentam formar coalizões que controlam a maioria dos assentos.

O que acontecerá depois que a votação for encerrada?

As maiores emissoras de televisão e sites de notícias de Israel divulgarão pesquisas de boca de urna assim que a votação acabar, por volta das 22h (16h em Brasília) de terça-feira. Os números darão uma estimativa de quantos assentos do Parlamento cada partido ganhou. Depois disso, os cálculos da coalizão são iniciados.

Como funciona a construção da coalizão?

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, se consulta com os líderes de todos os partidos representados no Parlamento e com os seus indicados a primeiro-ministro, e depois escolhe o parlamentar que acredita que tem as melhores chances de formar uma coalizão. O indicado, que não necessariamente precisa ser o líder do partido que ganhou mais votos, tem até 42 dias para formar um governo antes de o presidente pedir a outro político que tente fazer o mesmo. Em resumo, o processo pode levar alguns meses.

Também é possível que o Likud e o Azul e Branco unam forças e criem um governo de unidade nacional. Em teoria, Rivlin pode oferecer a Gantz e a Netanyahu essa oportunidade e eles poderiam se revezar no cargo de primeiro-ministro. Entretanto, Gantz já rejeitou essa ideia, dizendo que ele não governará ao lado de Netanyahu, apesar de uma gravação divulgada recentemente indicar que ele o faria.

Que tipo de coalizão pode ser formada?

Netanyahu provavelmente buscará uma coalizão, similar ao seu governo atual, com partidos  ultranacionalistas e judeus ortodoxos. Já Gantz deverá conseguir facilmente o apoio de partidos de esquerda e centro-esquerda, como o Partido Trabalhista e o Meretz.

Tanto o Likud quanto o Azul e Branco devem conseguir 30 assentos cada um - o que significa que ambos buscarão alianças com partidos menores. O Likud deve se unir ao Nova Direita e à aliança de extrema direita conhecida como União dos Partidos de Direita, que inclui o Poder Judaico, qualificado como extremista e anti-Árabe.

E como ficam os cidadãos árabes de Israel?

Eles representam quase um quinto dos 5,8 milhões de eleitores aptos a votar em Israel, o que poderia dar aos quatro partidos árabes de Israel um papel de potencial influenciador político. Mas esses grupos nunca se uniram a uma coalizão de governo no país.

Alguns eleitores árabes de Israel prometeram boicotar a eleição, parcialmente em protesto a uma nova lei imposta por Netanyahu que declara o país como o “Estado nação do povo judeu”. Para alguns críticos, ela é racista e antidemocrática.

E quanto aos palestinos dos territórios ocupados?

Eles não são cidadãos israelenses e não podem votar nesta eleição. Cerca de 4,75 milhões de palestinos estão nesta categoria, de acordo com o Instituto para Entendimento do Oriente Médio, um grupo palestino nos Estados Unidos.

Quais são os fatores inesperados para ficar de olho?

O político de extrema direita Moshe Feiglin vem construindo um apoio inesperadamente forte, conforme mostram as pesquisas de opinião, com uma plataforma libertária que defende a legalização da maconha, política de livre mercado e anexação dos territórios palestinos ocupados.

Na política israelense, um governo de unidade nunca pode ser descartado se o caminho para uma coalizão liderada pela direita ou centro-esquerda se mostrar difícil - apesar de Gantz ter prometido não governar com Netanyahu, citando alegações de corrupção contra o líder do Likud, que nega as acusações. / NYT, REUTERS e AGÊNCIA BRASIL

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Binyamin Netanyahu: um premiê em Israel contra tudo e todos

Atual primeiro-ministro israelense busca quinto mandato - o que o tornaria o chefe de governo mais longevo do país - para ser lembrado como 'o protetor de Israel'; opositores o acusam de ser autocrata, ávido por poder e 'amigo da mentira'

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 13h53
Atualizado 09 de abril de 2019 | 08h39

TEL-AVIV - Com o mesmo orgulho e estilo de sempre, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu trava uma nova batalha eleitoral decisiva, mostrando a força e o carisma que permitiram que ele superasse situações difíceis. 

Netanyahu, de 69 anos e 13 como chefe de governo, espera alcançar nas eleições desta terça-feira, 9, um quinto mandato como premiê, o que permitiria bater em meados de julho o recorde de longevidade no poder de David Ben Gurion - primeiro chefe de governo de Israel.

Seus êxitos diplomáticos, sua imagem de garantidor da segurança de um país diante de múltiplas ameaças e o crescimento econômico, deixaram pouco espaço para seus rivais por muitos anos.

No entanto, este ano, as pesquisas preveem uma disputa acirrada contra o general Benny Gantz, ex-chefe de Estado-Maior, líder de uma lista de centro-direita, que o critica por seu "vício pelos prazeres do poder".

Além disso, os eleitores sabem que Netanyahu, ganhando ou perdendo, provavelmente será acusado de corrupção.

Adorado ou odiado, "Bibi", como todos os israelenses o chamam, demonstrou ao longo de sua carreira política sua formidável capacidade de enfrentar situações adversas.

 

Precoce e duradouro

Ele foi o mais jovem primeiro-ministro a assumir o posto em Israel, de 1996 a 1999. Em 2009 voltou ao posto de premiê, após ter ocupado vários postos ministeriais nos governos de Ariel Sharon. Esta permanência no poder causa admiração, tanto entre seus partidários quanto entre os críticos.

"Quando Bibi perder, haverá momentos em que Israel vai se arrepender de não ter um líder de estatura internacional, reconhecido mundialmente, que - gostando ou não - todos prestam atenção quando toma a palavra", escreveu recentemente o jornal Haaretz, que não esconde sua hostilidade em relação a Netanyahu.

Neto de rabino, filho de um historiador ultrassionista, Netanyahu nasceu em 21 de outubro de 1949 em Tel-Aviv. Ele passou parte de sua infância nos Estados Unidos e estudou no prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Em seu retorno a Israel, serviu cinco anos em uma unidade das forças especiais israelenses, sendo ferido em 1972 em uma operação de resgate de reféns em um avião desviado por palestinos.

Netanyahu evoca frequentemente a morte de seu irmão Yoni na operação israelense para resgatar reféns de outro voo no aeroporto de Entebbe, em Uganda.

No início dos anos 1980, lançou-se na carreira política apadrinhado por Moshe Arens do partido Likud (direita), que o nomeou à embaixada de Israel nos Estados Unidos e, em seguida, embaixador na ONU. Em 1988 foi eleito deputado pela primeira vez e em 1996 se tornou primeiro-ministro.

Nos últimos anos, Netanyahu designou o Irã como o novo "Amalek", inimigo mortal, de Israel, o que lhe permitiu desenvolver novas relações com os países árabes, em particular a Arábia Saudita.

Também foi o responsável por Israel alcançar o status de potência tecnológica mundial que serve de "modelo para o resto do mundo".

A chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos deu novo impulso às ambições de Netanyahu, que nesta campanha exibe como troféus pessoais a transferência da embaixada americana para Jerusalém e o reconhecimento da anexação das colinas do Golan.

Seus adversários o acusam de ser um autocrata, ávido por poder, amigo da mentira, que nunca quis a paz com os palestinos e cujo discurso antiárabe prejudica as bases da democracia israelense. 

Israel deverá escolher entre um homem que "fala inglês com um sotaque de Boston, maquiado, vestindo ternos caros", líder de um sistema "viciado aos prazeres do poder, da corrupção e do hedonismo" ou um governo "autêntico, com capacidade de escuta", afirmou Benny Gantz, seu principal adversário.

"Só os fortes sobrevivem", diz Netanyahu. "Quero que um dia lembrem de mim como o protetor de Israel". / AFP

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Benny Gantz: general linha dura desafia Netanyahu nas urnas em Israel

General e ex-chefe do Estado-Maior de Israel promete unidade e tolerância zero contra os corruptos para quebrar os dez anos de governo do atual primeiro-ministro; adversários criticam sua inexperiência e seu programa de governo considerado genérico

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 13h53
Atualizado 09 de abril de 2019 | 08h40

TEL-AVIV - O general Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior de Israel, se colocou em apenas algumas semanas como o único nome capaz de tirar o lugar do atual primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, com uma personalidade dura e um programa impreciso.

Antes de se lançar à batalha eleitoral em dezembro, o ex-paraquedista de 59 anos era novato em política. Há meses se especulava se ele seria um adversário perigoso para Netanyahu pela aura de prestígio que cerca sua trajetória e seu papel como chefe militar.

Atualmente, a lista de centro-direita Azul-Branco (as cores da bandeira nacional) lidera as pesquisas ou aparece empatada com o Likud de "Bibi" Netanyahu.

"Nos dias em que eu dirigia a unidade de combate Shaldag em operações em território inimigo arriscando nossas vidas, você, Binyamin Netanyahu, passava com coragem e determinação de uma sessão de maquiagem para outra para aparecer na televisão", afirmou, em fevereiro, ante seus simpatizantes.

Gantz propõe aos israelenses mão forte para defender o país, uma visão liberal sobre questões sociais e religiosas e, acima de tudo, uma alternância a Netanyahu. "Israel deve escolher: Bibi antes de tudo ou Israel antes de tudo", resumiu.

O general promete unidade após anos de divisões e "tolerância zero" contra os corruptos no momento em que Netanyahu enfrenta uma possível acusação de corrupção.

Gantz espera obter os votos dos eleitores do centro e uma parte da coalizão de direita de Netanyahu para se tornar o terceiro ex-comandante do Estado-Maior de Israel a chegar à chefia do governo, depois de Yitzhak Rabin e Ehud Barak.

"Supermercado"

Seus oponentes criticam um programa que descrevem como "supermercado", no qual tudo é encontrado. 

Gantz nasceu em 9 de junho de 1959 no sul de Israel, na aldeia de Kfar Ahim, fundada com a contribuição de seus pais, imigrantes que sobreviveram ao Holocausto.

"De muitas maneiras minha vida começou antes de eu nascer, começou quando minha mãe Malka deixou o campo de concentração de Bergen-Belsen", comentou ele em fevereiro, em Munique, durante uma conferência de segurança. 

"Eu digo aqui em Munique: o povo judeu e o Estado judeu nunca deixarão seu destino nas mãos de outros. Nós protegeremos e garantiremos o futuro de nosso povo".

Ele se alistou no exército como recruta em 1977, passou nos testes de seleção dos paraquedistas e subiu postos. Dirigiu a Shaldag, unidade de operações especiais da aviação, depois comandou uma brigada e finalmente uma divisão na Cisjordânia ocupada.

Ele foi adido militar de Israel nos Estados Unidos de 2005 a 2009 e chefe do Estado-Maior de 2011 a 2015. Liderou duas guerras na Faixa de Gaza.

Em um de seus vídeos, ele se vangloria do número de "terroristas" palestinos mortos durante a campanha de 2014 em Gaza, sem mencionar as vítimas civis, e em outro diz que não tem vergonha de buscar a paz com os árabes.

A plataforma Azul-Branco defende a separação entre israelenses e palestinos, mas não menciona a chamada solução de dois Estados. 

Sobre esta questão, o estatuto de Jerusalém, a anexação de parte do Golan ou a política em relação ao Irã, é difícil estabelecer diferenças entre o programa de Gantz e o ponto de vista de Netanyahu.

Os oponentes de Gantz criticam sua inexperiência política e acreditam que, como oficial supremo, ele era indeciso e relutava em assumir riscos. Eles também o culpam pelo que consideram falta de preparação na guerra de 2014 em Gaza. 

Gantz é formado em História pela Universidade de Tel-Aviv, tem mestrado em Ciências Políticas pela Universidade de Haifa e mestrado em Gestão de Recursos Nacionais pela Universidade Nacional de Defesa dos Estados Unidos. Ele é casado e pai de quatro filhos. / AFP

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As principais preocupações dos israelenses na eleição legislativa

Escândalos de corrupção envolvendo Binyamin Netanyahu, segurança regional, criação de um Estado palestino e aumento do custo de vida são os principais temas da eleição de terça-feira

AFP, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 15h34

Os israelenses irão às urnas nesta terça-feira, 9, para votar em eleições parlamentares que renovarão o Knesset (Parlamento) e elegerão o novo primeiro-ministro. O atual premiê, Binyamin Netanyahu, busca a reeleição para seu quarto mandato consecutivo e quinto no geral. Caso derrote os outros 12 candidatos, ele se tornará o político a permanecer por mais tempo no cargo em Israel, superando o fundador do país, David Ben-Gurion. 

Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e Yair Lapid, são considerados os maiores adversários de Netanyahu neste pleito. O Knesset tem 120 assentos, a maioria é ocupada pelo Likud, partido de Netanyahu, e seus aliados. Desde que Israel foi fundado em 1948, nenhum partido formou maioria absoluta.   

A eleição em Israel é uma das mais apertadas das últimas décadas, e uma série de temas preocupa os israelenses:

Os escândalos de corrupção de Netanyahu 

Aos grandes temas habituais - a paz com os palestinos, a segurança, ou o custo de vida -, somou-se mais um: manter no cargo, ou não, primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que deve enfrentar um processo por corrupção após as eleições. Dizer "sim" é assumir o risco de um chefe de governo que terá de se dividir entre suas obrigações nas áreas de segurança e de economia e as audiências na Justiça.

Netanyahu clama sua inocência e denuncia uma "caça às bruxas". Seu principal concorrente, o general Benny Gantz, à frente da lista centrista Azul-Branco, promete pôr fim à corrupção dos anos Netanyahu.

A segurança no Oriente Médio

Em um contexto regional pouco favorável, Israelcontinua a enfrentar ameaças - em especial do Hamas palestino, em Gaza; do Hezbollah no Líbano, ou do Irã.

Uma grande preocupação dos israelenses é escolher alguém que tenha condições de protegê-los. Com a lista do Likud, Netanyahu mantém sua imagem de homem forte, enquanto apresenta Gantz e seus aliados como um aglomerado de fracos e esquerdistas.

Já o Azul-Branco faz questão de destacar o fato de ter um ex-chefe do Estado-Maior na cabeça, além de outros dois ex-comandantes das Forças Armadas em terceira e quarta posições da lista. O número dois da lista trabalhista também é um general.

Um Estado palestino?

O conflito, ou a paz, com os palestinos continua sendo um tema importante na vida política israelense, ainda que não lidere a lista de preocupações dos eleitores.

Faz tempo que Netanyahu parou de se referir à solução de "dois Estados", a qual implicaria a criação de um Estado palestino. No sábado à noite, ele afirmou que vai começar a anexar as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada, se for reeleito. Essa anexação seria a pá de cal na solução de dois Estados.

Gantz denuncia essas propostas como "irresponsáveis". O candidato se diz favorável a um acordo de paz que conte com apoio regional e internacional, no marco de alguns princípios, como a manutenção da soberania israelense sobre Jerusalém, a manutenção dos grandes blocos de colônias na Cisjordânia ocupada e a manutenção do controle israelense da segurança no Vale do Jordão.

Uma parte dele se encontra na Cisjordânia. O programa do Azul-Branco preconiza uma "separação" com os palestinos, mas sem evocar a "solução de dois Estados".

Custo de vida

Uma pesquisa recente do Instituto pela Democracia, de Israel, indica que, para cerca de 25% dos israelenses, a principal consideração no momento de votar será em relação a questões socioeconômicas.

Embora o Estado hebreu registre um índice muito baixo de desemprego, uma inflação quase inexistente e um crescimento de fazer inveja a muitos países ocidentais, mais de 20% de sua população vive no limiar da pobreza.

Israel é conhecido pelo alto custo de vida, e o valor dos aluguéis é uma preocupação comum. A escassez de leitos nos hospitais públicos e o aumento dos preços de alguns produtos de base engrossam essa lista. Apesar das reiteradas promessas dos candidatos a cada campanha eleitoral, os israelenses se queixam de não verem mudanças nesse sentido./ AFP

 

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