Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Entenda o caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 19h16
Atualizado 08 de junho de 2020 | 18h17

O homicídio de George Floyd, 46, um homem negro, em Minnesota, nos Estados Unidos, causou uma onda de indignação depois da divulgação de um vídeo que mostra um policial branco usando o joelho para asfixiá-lo.

Nas imagens, divulgadas no dia 27 de maio, Floyd reclama e diz repetidamente: "Não consigo respirar", enquanto o policial que o rendeu, Derek Chauvin, continua ajoelhado sobre seu pescoço.

Desde então, diversas cidades nos Estados Unidos registraram manifestações contra o racismo e a violência policial. À elas, somaram-se protestos de solidariedade em todo o mundo. Jogadores de futebol, artistas e políticos se manifestaram sobre o caso.

Confira a cobertura completa do caso:

Quem é George Floyd?

George Floyd era um homem afro-americano de 46 anos. Nascido na Carolina do Norte, havia se mudado para Minneapolis há vários anos para encontrar trabalho, segundo amigos próximos, após sair da prisão.

Floyd era pai de uma menina de seis anos, Gianna, fruto de um relacionamento antigo com Roxie Washington. No momento de sua morte, tinha uma namorada, Courteney Ross. Era conhecido como Big Floyd.

Como George Floyd foi morto?

George Floyd foi morto por asfixia, após um policial o imobilizar e pressionar seu pescoço com o joelho por quase nove minutos – mesmo com os avisos persistentes de Floyd de que não conseguia respirar.

Por que George Floyd foi detido?

No dia 25 de maio, Floyd comprou cigarros em uma lanchonete. Um funcionário do local o acusou de usar uma nota falsificada de US$ 20 e chamou a polícia.  

Quem é o policial que matou George Floyd?

Derek Chauvin. 

Qual a causa da morte de George Floyd?

No condado de Hennepin, Minnesota, os médicos legistas determinaram oficialmente a morte de George Floyd como homicídio em um relatório post-mortem divulgado na noite desta segunda-feira, 1.

Em 25 de maio, Floyd "sofreu uma parada cardiopulmonar enquanto estava sendo contido" pela polícia. A causa da morte foi  uma parada cardiopulmonar causada por compressão do pescoço.

O que aconteceu com os policiais envolvidos no caso?

Derek Chauvin foi acusado formalmente na sexta-feira, 29, por assassinato em terceiro grau e morte imprudente. Segundo a legislação do Estado de Minnesota, o assassinato de terceiro grau é aquele em que a morte é causada de maneira não intencional, por um ato eminentemente perigoso. A pena para o crime é de até 25 anos de prisão.

Na quarta-feira, 3, o procurador-geral de Minnesota, responsável pelo caso de George Floyd, endureceu as acusações contra Chauvin. Ele agora será processado por homicídio culposo, acusação que se soma às já existentes e acarreta penas mais severas.

A fiança para Derek Chauvin foi fixada na segunda-feira, 8, em US$ 1,2 milhão.

Os outros três policiais também serão processados e estão sob custódia.

Quem filmou a morte de George Floyd?

O vídeo que viralizou nas redes sociais foi gravado por Darnella Frazier, uma adolescente de 17 anos, também negra, que presenciou o homicídio. Traumatizada com a cena e com a repercussão do caso, ela mudou de casa com a família e passou a fazer acompanhamento psicológico.

Quais cidades e países registraram protestos pela morte de George Floyd?

Desencadeados pelo homicídio, protestos contra o racismo e a violência policial se espalharam pelos Estados Unidos. Manifestações foram registradas em todos os 50 estados do país e chegaram a mais de 350 cidades, entre elas Atlanta, Detroit, Houston, Los Angeles, Miami, Nova York e Washington. Ao menos 9 mil pessoas foram presas em decorrência dos protestos.

Em algumas manifestações, há registros de saques, depredações e confrontos com a polícia. Para tentar conter o avanço dos protestos, as cidades têm antecipado o início do toque de recolher. Em Washington, a medida começa às 19h. Em Nova York, às 20h. Em ambos os casos, ainda à luz do dia.

Qual foi a reação de Donald Trump?

No dia 29 de maio, o presidente dos Estados Unidos conversou com a família de George Floyd pelo telefone. “A família de George tem direito à Justiça”, disse a jornalistas. 

Mas Trump, assim como alguns governadores, elevou o tom contra os protestos. No dia 31 de maio, o presidente americano declarou que consideraria o movimento antifascista ‘Antifa’ como uma organização terrorista. No dia 1.º de junho, Trump atacou os governadores, dizendo que se eles não dominassem os protestos, pareceriam “um bando de idiotas”. Também prometeu mobilizar militares para conter a agitação civil - uma promessa que acendeu o sinal de alerta do Pentágono, que ainda não vê necessidade de entrar em ação.

Como o mundo reagiu?

Políticos e lideranças se manifestaram em todo o mundo. 

Um porta-voz da Comissão Europeia enviou um e-mail à imprensa dizendo que Bruxelas espera que “todas as questões relacionadas aos protestos sejam resolvidas pacificamente e com respeito às leis e aos direitos humanos”. 

O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse que os protestos são “compreensíveis e mais do que legitimados”. 

O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, disse que a crise ultrapassou a linguagem usada quando se discute conflitos intratáveis em qualquer parte do mundo. “Queremos ver a redução das tensões entre os americanos”, afirmou à BBC no domingo.

Além disso, manifestações pela morte de George Floyd também foram registradas em diversos países, como Inglaterra (Londres), Alemanha (Berlim), Holanda (Amsterdã), França (Paris) e Canadá (Toronto).

Em alguns casos, como na Austrália e na França, a fúria pela morte de Floyd encorajou movimentos já existentes contra a violência racial e a discriminação contra minorias.

Quais celebridades já se manifestaram sobre o caso?

Centenas de artistas, políticos e atletas se manifestaram sobre o homicídio de George Floyd nas redes sociais. Viola Davis, Beyoncé, Oprah Winfrey, Jay-Z, Taylor Swift, Lady Gaga e Barack Obama são alguns dos nomes. Em primeiro de junho, o time Liverpool divulgou uma foto de seu elenco ajoelhado no gramado do estádio Anfield Road em uma demonstração de solidariedade ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). LeBron James e outros astros da NBA também se manifestaram

Blackout Tuesday

Na terça-feira, 2, marcas, influenciadores e pessoas comuns começaram a postar quadrados pretos no Instagram, com as hashtags #BlackoutTuesday e #BlackLivesMatter. #BlackoutTuesday também se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter. 

A ideia era sinalizar apoio à justiça racial, enquanto protestos nas ruas pelo assassinato de George Floyd nas mãos da polícia entravam na segunda semana. O movimento foi adotado também por celebridades como Rihanna, Taylor Swift, Katy Perry e LeBron James. 

O impacto das manifestações contra a morte de George Floyd

Na segunda-feira, 8 de junho, a maioria dos membros da Câmara Municipal de Minneapolis se manifestou a favor do fechamento do departamento de polícia da cidade e da criação de uma nova forma de garantir a segurança das pessoas. As declarações são um sinal de que os protestos após o assassinato de George Floyd por um policial da cidade estão tendo impacto.

Oficiais eleitos em Nova York e Los Angeles disseram que vão reduzir os orçamentos de seus departamentos de polícia para transferir recursos para serviços sociais, outro sinal de que o movimento está ganhando força.

 

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