Entenda o conflito entre governo e rebeldes no Chade

País é um dos mais instáveis e foi palco de numerosas rebeliões armadas protagonizadas por diversas facções

Agências internacionais,

04 de fevereiro de 2008 | 14h48

Desde sua independência a partir da década de 1960, o Chade tem enfrentado golpes e conflitos internos constantes. A atual onde de violência começou em 2005, quando o presidente Deby alterou a Constituição para permitir que ele fosse reeleito pela terceira vez.  Deby chegou ao poder em um golpe de Estado no início dos anos 1990 e está no comando do Chade desde então. Ele primeiro comandou um governo de transição para democracia e venceu sua primeira eleição em 1996.  Nos praticamente 17 anos que está no controle do Chade Idriss Deby já enfrentou diversas tentativas de golpes. Desta vez porém parte do grupo que agora está tentando derrubá-lo é composto por antigos aliados que mudaram de lado após as mudanças constitucionais de 2005.  Ao longo da história do país, a França, apoiando diferentes governos, e a Líbia, apoiando grupos rebeldes, tiveram um papel importante nos conflitos interno do país, que é um dos mais pobres do mundo, mas que tem uma importante reserva de petróleo.  Outro país que tem peso na política regional é o Sudão, que faz fronteira com o Chade justamente na região de Darfur, outra área extremamente instável do continente africano. O Chade acusa o governo sudanês de apoiar a ofensiva rebelde no país para impedir que a União Européia envie sua força de paz à região.  Segundo o governo do Chade, o Sudão deu apoio aos insurgentes para o ataque de domingo na cidade de Adre, no leste do país, perto da fronteira com Darfur.  De acordo com analistas, o Sudão acredita que o governo do Chade está fornecendo recursos para os insurgentes que lutam em Darfur. Eles afirmam que o governo sudanês quer cortar a rede de fornecimento de suprimentos para os rebeldes e, para isso, teria que agir antes que as tropas de paz da União Européia sejam enviadas para a fronteira entre os dois países.  O Sudão nega essa hipótese, assim como as acusações de que vem apoiando milícias árabes acusadas de promover limpeza étnica e genocídio em Darfur.  Funcionários de agências humanitárias afirmam que os confrontos prosseguem fora da cidade enquanto cadáveres se espalham pelas ruas. Os rebeldes, que já haviam tentado tomar a capital e dar um golpe em 2006, acusam Déby de favorecer sua família e amigos, além de desviar o lucro da produção de petróleo, que vem sendo desenvolvida por um consórcio liderado por empresas americanas. Cronologia 1996: Idriss Deby é eleito presidente do Chade2001: Deby é reeleito sob denúncias de fraude2004: Começa o conflito em Darfur, no Sudão. Milhares fogem para o ChadeJunho/2005: Mudança constitucional permite terceiro mandato de DebyAgosto/2005: Governo e grupo rebelde firmam acordo de pazAbril/2006: Confrontos entre rebeldes e governo matam centenas em NdjamenaJaneiro/2008: União Européia (UE) aprova força de paz para proteger refugiados Fevereiro/2008: Dia 1 - Violência faz UE suspender envio de força de pazDia 3 - Rebeldes entram na capital para destituir governo

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