AFP / GEORGE OURFALIAN
AFP / GEORGE OURFALIAN

Entenda o plano para silenciar as armas em parte da Síria

'Zonas de segurança' serão criadas em oito províncias onde estão os rebeldes para permitir o retorno dos deslocados e o envio de ajuda humanitária

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2017 | 16h46

O plano assinado por Rússia, Turquia e Irã pretende por fim aos combates em boa parte da Síria. Quais são as zonas afetadas? Como será concretizado? Tem possibilidades de êxito?

 

Onde ficam

Segundo o plano assinado na quinta-feira, estas "zonas de segurança" serão criadas nas oito províncias onde os rebeldes estão presentes, em um total de 14 existentes na Síria.

As "zonas de segurança" serão criadas no conjunto da Província de Idlib (noroeste), controlada por uma coalizão de rebeldes islamitas e extremistas, entre eles o Fateh al-Sham (ex-facção síria da Al-Qaeda).

Também serão instauradas nas zonas delimitadas no centro pelas províncias de Latakia, Aleppo, Hama, Homs e de Damasco com Guta Oriental, assim como nas zonas delimitadas pelas regiões de Deraa e Quneitra.

Estas zonas não serão adotadas nas três províncias totalmente sob controle do regime sírio (Damasco, Tartus e Sweida), nem no leste, nem no nordeste do país, onde se encontram os integrantes do grupo Estado Islâmico (EI) e a coalizão curdo-árabe que os combate com o apoio dos Estados Unidos.

 

Qual é o calendário?

Duas semanas depois da assinatura do acordo, ou seja, 18 de maio, será formado um grupo de trabalho comum, que fixará, antes de 4 de junho, mapas dessas zonas e as zonas contíguas, resolvendo, além disso, os problemas técnicos e operacionais.

Ao mesmo tempo, os avalistas do acordo - Rússia, Irã e Turquia - deverão distinguir os grupos armados da oposição dos "grupos terroristas" que, segundo o documento, são o "EI, a Frente Al-Nusra (antigo nome da atual Fateh al-Sham) e todos s grupos ou indivíduos que estão afiliados a eles".

As zonas terão uma duração de seis meses, que podem ser prolongadas de acordo com os três signatários do acordo.

 

Como funcionam?

Nessas zonas, as forças governamentais e os grupos armados de oposição aos quais se aplica o cessar-fogo, apadrinhado pela Rússia e Turquia, começando em 30 de dezembro 2016, deverão cessar o uso de qualquer tipo de armas, e isso também se aplica à aviação.

Os aviões da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos não poderão operar nessas zonas, segundo um diplomata russo.

Nessas zonas, o acesso humanitário será assegurado e também será facilitado o retorno de refugiados e deslocados.

Em torno dessas zonas haverá áreas de segurança criadas pelas forcas dos três países envolvidos, às quais poderão se unir outros países.

Haverá pontos de controle para assegurar a livre circulação de civis e facilitar o trânsito de ajuda humanitária.

 

Possibilidade de êxito

O objetivo das "zonas de segurança" é, segundo o acordo firmado na quinta-feira, acabar rapidamente com a violência, melhorar a situação humanitária e "criar condições para fazer avançar o processo político" na Síria, depois que a guerra nesse país deixou 320mil mortos em seis anos.

O memorando estipula igualmente que a luta contra o EI e a Al-Qaeda (designada como Frente al-Nusra ou Fateh al-Sham) deve prosseguir.

Os extremistas do EI não têm qualquer relação com os rebeldes, a quem combatem. Em compensação, os outros dois grupos geralmente formam alianças com a oposição armada em várias regiões, para lutar contra o regime de Damasco. / AFP

 

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