Michael Reynolds/EFE/EPA
Michael Reynolds/EFE/EPA

Entenda o que é o Juneteenth, dia da emancipação dos escravos nos EUA

Neste ano, comemoração ocorre em meio ao maior movimento de protesto nos Estados Unidos em décadas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 16h28

WASHINGTON - O chefe do exército da Confederação, Robert Lee, encerrou a Guerra da Secessão nos Estados Unidos assinando a rendição em 9 de abril de 1865, mas foram necessários dois meses para que os escravos de Galveston, no Texas, fossem informados de que finalmente eram homens livres. 

Essa data, 19 junho de 1865, foi batizada como Juneteenth, uma contração da palavra junho e do número 19 em inglês. Também é conhecida como o Dia do Jubileu ou o Dia da Liberdade. 

O presidente americano Abraham Lincoln havia decretado a libertação dos escravos dois anos e meio antes, ao assinar em 1o de janeiro de 1863 a proclamação da emancipação. 

Mas o Texas, que como território do sul fazia parte da Confederação, foi o último Estado a libertar os escravos.

Em Galveston, os escravos receberam a notícia com a chegada das tropas da União, comandadas pelo general Gordon Granger.

O dia do Juneteenth é feriado no Texas, Nova York e Virgínia - capital da Confederação - e motivo de festas comunitárias e em bairros de todo o país. 

Segundo o portal Juneteenth.com, as primeiras comemorações da emancipação ocorreram em Galveston, nos primeiros anos após o fim da Guerra da Secessão.

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Em 1872, um grupo de ex-escravos comprou um terreno em Houston e fundou um parque batizado como Emancipation Park (Parque da Emancipação, em tradução livre) para marcar a celebração do Juneteenth.

Muitas dessas celebrações caíram no esquecimento no início do século 20, antes que houvesse um ressurgimento nas décadas de 50 e 60, durante a luta pelos direitos civis. 

Neste ano, a comemoração ocorre em meio ao maior movimento de protesto nos Estados Unidos em décadas, depois que a morte de George Floyd - um americano negro - em 25 de maio por um policial branco causou indignação nacional. 

Desde então, várias empresas americanas - como Nike e Twitter - anunciaram que 19 de junho seria um feriado remunerado para seus trabalhadores. 

O presidente Donald Trump planejou um ato de campanha neste dia em Tulsa, Oklahoma, mas decidiu adiá-lo para sábado devido à onda de críticas

Essa cidade e essa data são marcadas pela memória do maior massacre contra a população afrodescendente em 1921.

Trump justificou a mudança de data afirmando que muitos de seus amigos e apoiadores afroamericanos lhe sugeriram o adiamento como um sinal de respeito por esse dia de comemoração. 

O feriado do Juneteenth é comemorado principalmente em reuniões de família e celebrações em igrejas. Desfiles também são organizados em outros locais. /AFP  

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