Reprodução de TV/ Reuters
Reprodução de TV/ Reuters

Entenda: o que se sabe sobre a suposta tentativa de assassinato contra Maduro

Grupo rebelde assumiu autoria da ação, mas governo culpa oposicionistas, Colômbia e Estados Unidos; confira os principais pontos sobre as explosões com drones na Venezuela no sábado

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 13h22

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, alega ter sofrido uma tentativa de assassinato no sábado, 4, durante discurso em Caracas. Segundo o governo, houve duas explosões que resultaram em sete feridos. Foram detidos seis suspeitos e um grupo militar dissidente reivindicou a autoria pela ação. Confira abaixo os principais pontos sobre o caso:

A arma

O ministro do Interior e Justiça, Néstor Reverol, afirmou no domingo, 5, que uma tentativa de assassinato contra o chefe de Estado foi executada com dois drones controlados à distância e carregados, cada um, com um quilograma do explosivo C4.

Um dos drones, segundo Reverol, se aproximou do palco onde estava Maduro, que terminava seu discurso para o 81º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana, mas o objeto foi neutralizado com "inibidores de sinais" e explodiu fora do perímetro planejado pelos autores do ataque. Maduro saiu ileso.

O momento

Na transmissão da TV estatal VTV, é possível observar quando um barulho de explosão chama a atenção do presidente, da mulher dele, Cilia Flores, e dos funcionários que estavam ao seu lado, que olharam para cima.

Então, uma tomada aérea mostra os militares enfileirados na frente do palco começando a correr. Em outro vídeo, também transmitido pela VTV, é possível ver os guarda-costas de Maduro o protegendo com escudos à prova de balas.

Os suspeitos

Segundo Reverol, seis pessoas foram presas pelo caso. Sete militares ficaram feridos, "vários veículos foram apreendidos" e evidências "muito importantes" foram coletadas. Até o momento, não se sabe quem são os detidos pelas explosões. Segundo o procurador-geral, Tarek William Saab, suas identidades serão divulgadas nesta segunda-feira, 6. "Haverá punição implacável", declarou.

Segundo relatório policial adquirido pela agência AFP, um homem identificado como César Saavedra foi um dos detidos pela explosão. O ministro Reverol disse que "os autores materiais e intelectuais" foram identificados, tanto dentro como fora do país. "Outras prisões não estão descartadas ", acrescentou.

Reação internacional

Maduro responsabilizou a "extrema direita" pelo ataque, se referindo aos oposicionistas do governo e ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos. Segundo ele, os financiadores do plano estão nos Estados Unidos.

O ministério colombiano das Relações Exteriores declarou como "absurdas" as acusações de Maduro e o conselheiro de segurança nacional americano, John Bolton, disse que não há "absolutamente nenhum envolvimento do governo dos EUA".

Reivindicação

O suposto grupo rebelde Movimiento Nacional Soldados de Franelas reivindicou a autoria do ataque, segundo comunicado divulgado por uma jornalista venezuelana radicada nos EUA. O grupo afirmou ser composto por civis e militares.

Apesar de Reverol ter dito que os drones eram controlados pelos "terroristas", o procurador-geral disse que um dos aparatos estava filmando a ação. "Pude observar como o drone que filmava os eventos explodiu", disse, em entrevista à CNN.

Terceira explosão

Um incêndio em um apartamento próximo também causou confusão. Um policial que concedeu entrevista sob a condição de anonimato disse que os drones teriam saído desse apartamento e ali um deles teria explodido. No entanto, outras versões apontam que houve uma explosão de um botijão de gás.

A imprensa local divulgou um vídeo de Katherine Pita, moradora do prédio, descartando a versão do botijão. "Neste apartamento não havia botijão de gás, era apenas um drone caseiro que se chocou contra o edifício e explodiu", disse ao site caraotadigital.net.

Contradições

O diretor do Centro de Pesquisa em Comunicação Carlos Delgado, da Universidade Católica Andrés Bello, disse à AFP que "as contradições" sobre o ocorrido indicam que foi um ato que surpreendeu o governo. "O governo simularia um atentado para justificar repressão, mas os militares foram vistos correndo. Não seria o efeito desejado", explicou.

O cientista político Luis Salamanca disse que "ninguém sabe exatamente" o que aconteceu, "nem mesmo o governo". "Nós não podemos raciocinar com base em eventos incertos, manipulados pelas partes", afirmou. Segundo ele, trata-se de uma questão na qual várias versões estão envolvidas e a verdade está ausente. "Não há órgão independente para fazer uma investigação séria", ressaltou. / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.