Entenda o que Sharon está propondo para o Oriente Médio

O plano de "desligamento" do primeiro-ministro Ariel Sharon ? que recebeu o apoio do presidente americano, George W. Bush, nesta quarta-feira e o repúdio dos palestinos ? consiste em retirar forças e desmantelar assentamentos judaicos de algumas áreas palestinas. Por outro lado, as propostas de Sharon também prevêem o aumento da presença israelense na Cisjordânia ? uma das razões da oposição palestina. Veja, a seguir, alguns dos principais pontos do polêmico plano. O que Ariel Sharon está propondo? Sharon pretende desmantelar os 21 assentamentos judaicos existentes na Faixa de Gaza e retirar os sete mil colonos que vivem ali. O Exército recuaria para a fronteira de Gaza, mas as tropas israelenses continuariam realizando incursões no território palestino.Quanto à Cisjordânia, o primeiro-ministro israelense diz que vai manter seis blocos de assentamentos localizados no território. Dos 240 mil colonos judeus que vivem na Cisjordânia, 92 mil colonos judeus estão nesses blocos. Se Jerusalém Oriental for considerada terra palestina ocupada, como querem os palestinos, o número de israelenses vivendo em terras palestinas ocupadas chega a 400 mil.Assentamentos isolados desses blocos, que ficam do lado palestino da barreira de segurança israelense, correm o risco de serem evacuados. Está claro que não há intenção de desmantelar dezenas de assentamentos localizados entre a barreira e as fronteiras anteriores a 1967 (que não incluíam Gaza nem Cisjordânia), a não ser como parte de um acordo político com os palestinos.Sharon diz que o plano é baseado meramente em preocupações com a segurança de Israel. No entanto, os palestinos dizem que o objetivo real é passar por cima de acordos internacionais e estabelecer unilateralmente as fronteiras de um Estado palestino.Por que o primeiro-ministro está apresentando a sua proposta apenas agora?A principal razão é a insatisfação da população com mais de três anos de violência. Pesquisas de opinião indicam uma queda na popularidade do primeiro-ministro e isso é associado em boa parte à falta de progresso nas negociações de paz com os palestinos.Muitos israelenses acreditam que a ocupação de terras palestinas está prejudicando o Estado judeu; há um grande ressentimento quanto ao alto custo em proteger os assentamentos.Alguns críticos dizem que o plano foi lançado para desviar a atenção pública das acusações de corrupção contra Sharon. Como o plano tem sido recebido dentro e fora de Israel? O presidente americano, George W. Bush, qualificou a iniciativa de Sharon como "corajosa e histórica", embora a tenha associado à idéia de um Estado palestino "pacífico, democrático e viável".A notícia de que Israel se retiraria de Gaza chocou muitos dos aliados de direita de Sharon e colonos judeus. Dois partidos ultranacionalistas que fazem parte da coalizão de governo ameaçaram abandonar Sharon, e um grupo de parlamentares do seu próprio partido, o Likud, assinou uma petição se opondo aos planos.Os 200 mil membros do Likud vão se manifestar sobre a proposta de Gaza em uma votação no próximo dia 2. Representantes de colonos dizem que eles vão aceitar o resultado.A retirada de Gaza agradaria à maior parte dos israelenses e foi bem-recebida pela liderança palestina. O ex-primeiro-ministro Shimon Peres, líder do Partido Trabalhista, o maior da oposição israelense, pediu apoio parlamentar à medida.No entanto, o primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, é contra os planos de Sharon para a Cisjordânia, alegando que eles "estão destruindo qualquer esperança de paz entre os dois povos".

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