Entidade critica restrição à imprensa na região

Associação Internacional de Radiodifusão condena em Buenos Aires a ação de países que violam o direito à informação

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2010 | 00h00

A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) condenou de forma enfática ontem as iniciativas de diversos governos da América do Sul para controlar o trabalho dos meios de comunicação em seus países.

A diretoria da AIR - que se reuniu em Buenos Aires para duas jornadas de debate sobre o estado da liberdade de expressão na região - disse-se "muito preocupada" com "certas legislações e regulamentações elaboradas por governos locais" com a desculpa de que há a necessidade de "democratizar os meios de comunicação" em seus países.

O debate da AIR concentrou-se no caso da Argentina, país no qual, segundo a associação, existe um "clima de intolerância com os meios de comunicação e jornalistas". Também foi exposta uma grande preocupação com o confronto permanente entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e os meios de comunicação de seu país.

Nelson Belfort, presidente da Câmara Nacional de Radiodifusão da Venezuela denunciou que, nos últimos anos, o governo Chávez fechou cinco de suas dez emissoras de rádio. "Todo o procedimento foi ilegal", disse.

Para Marcel Granier, presidente da rede de TV venezuelana RCTV - que foi tirada do ar da rede aberta em 2007 - "falar em liberdade de expressão na Venezuela é falar do passado". Para ele, o governo Chávez é uma "ditadura".

"Os EUA compram 80% do petróleo exportado pela Venezuela e vendem para 35% dos alimentos que o nosso país importa. Isso é paradoxal. Os defensores da liberdade são os que alimentam os inimigos da liberdade", afirmou Granier.

Segundo o presidente da AIR, o chileno Luis Pardo - também presidente da Associação de Radiodifusores do Chile - "censurar ou limitar as notícias e o editorial, recorrendo a razões de interesse nacional, implica em restringir o direito dos cidadãos participarem e decidirem sobre os assuntos que importam para o desenvolvimento de uma sociedade democrática e livre".

Pardo criticou a Lei de Mídia do governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, que restringe a atuação dos meios de comunicação privados e amplia o poder da mídia estatal. Segundo ele, a lei é um sinal de que a qualidade da democracia se deteriora de forma significativa na Argentina. "Isso é muito triste", opinou o presidente da AIR.

Desde o início do ano a Lei de Mídia está suspensa por uma decisão da Justiça argentina. O governo recorreu à Corte Suprema, que ainda não avaliou o caso.

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