Bryan Denton/The New York Times
Bryan Denton/The New York Times

Entidade da ONU acusa EI de cometer ‘atrocidades’ ao abandonar vilarejos próximos a Mossul

Ao perder terreno, grupo jihadista estaria ‘espalhando terror’ e promovendo ‘verdadeiros massacres'

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 12h16

GENEBRA - Combatentes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) estão cometendo “verdadeiros massacres” e atrocidades nas cidades próximas à Mossul, à medida que começam a perder terreno para as forças da coalizão no Iraque. O alerta foi lançado nesta terça-feira, 25, pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, que já fala em mais de 100 execuções em menos de uma semana.

No domingo, o EI teria executado 50 ex-policiais que estavam sendo mantidos prisioneiros em um edifício nas proximidades de Mossul. Na semana passada, o Exército iraquiano descobriu outros 70 corpos de civis em uma casa no vilarejo de Tuloul Naser. Já na cidade de Safina, também nas proximidades, 15 civis foram executados e seus corpos jogados em um rio para “disseminar o terror” entre a população. Seis homens, supostamente parentes de um líder local, foram amarrados em um caminhão e puxados pela cidade.

No vilarejo de Rufeila, três mulheres e três meninas também foram executadas, além de outras quatro crianças terem sido feridas supostamente por não fugir das forças iraquianas. Segundo Rupert Colville, porta-voz de Direitos Humanos das Nações Unidas, uma das crianças não estava fugindo ao mesmo ritmo por ser deficiente física, mas ainda assim foi morta.

“Tememos que esses não sejam os últimos informes que recebemos de atos bárbaros por parte do EI”, disse Colville. A entidade da ONU apela para que o governo iraquiano não atue com um “espírito de revanche” e que trate eventuais prisioneiros do grupo jihadista dentro das leis do direito internacional.

As operações para reconquistar Mossul, sob o comando do EI desde 2014, começaram na semana passada. Um dos pontos considerados como estratégicos, o da cidade de Bashiqa, já teria sido vencido pela coalizão, que estaria a menos de 10 quilômetros da cidade iraquiana.

Mas os temores são de que cada vez mais o EI esteja usando civis como escudos humanos. Atualmente, cerca de 200 mil pessoas precisam de ajuda médica na região, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessas, 40 mil precisariam ser hospitalizadas.

Diversas clínicas foram criadas pela OMS na região, além de 40 equipes que estariam circulando pelas cidades próximas para atender às vítimas. Os especialistas ainda estariam se preparando para um eventual ataque químico dos jihadistas contra a população civil.

A ofensiva também está permitindo que a Unicef descubra quantas crianças na região têm sido utilizadas pelo EI como soldados. Pelo menos 132 casos já foram confirmados, mas a entidade estima que o número ultrapasse a marca de 400.

Em uma semana de operações, a Organização Internacional de Migrações (OIM) registrou o deslocamento forçado de 7,4 mil pessoas. No total, 1,7 mil crianças chegaram a acampamentos sem seus pais.

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