EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Entidade da ONU alerta para uso político de programas de assistência na Venezuela

Alto Comissário afirma que o Conselho de Direitos Humanos precisa votar a criação de uma comissão de inquérito contra o país, e não vê condições adequadas para a realização de eleições

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 11h28

GENEBRA - A ONU alerta para possíveis crimes contra a humanidade na Venezuela e aponta que não há condições para que uma eleição livre possa ocorrer. Em um discurso realizado nesta quarta-feira, 7, em Genebra, o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al-Hussein, ainda afirmou que a assistência aos mais necessitados está sendo instrumentalizada politicamente, e a entrega de materiais e alimentos é alvo de condicionantes políticos.

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Para ele, o Conselho de Direitos Humanos precisa votar a criação de uma comissão de inquérito contra a Venezuela com o mandato de investigar abusos e crimes. A proposta, porém, está bloqueada em razão do apoio que Caracas mostrou a governos africanos, China, Rússia e Cuba.

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“A situação é profundamente alarmante”, disse Zeid. “Má nutrição aumenta de forma dramática pelo país, afetando especialmente as crianças e os mais velhos. Relatos nos indicam que os programas de assistência do governo estão frequentemente condicionados por considerações políticas”, apontou. “Estou profundamente alarmado com a possibilidade de que crimes contra a humanidade estejam sendo cometidos, e pela erosão das instituições democráticas”, disse Zeid.

“O princípio fundamental da separação de poderes foi severamente comprometido, já que a Assembleia Nacional Constituinte continua a concentrar poderes irrestritos”, afirmou. “Os dois principais partidos de oposição foram desqualificados pelo Conselho Eleitoral e a coalizão de oposição foi invalidada pela Corte Suprema”, destacou o comissário.

Diante desse cenário, o representante da ONU não vê condições adequadas para a realização de eleições nacionais. O governo de Nicolás Maduro adiou a votação para o dia 20 de maio, mas garantiu que ela ocorrerá. “Tenho sérias preocupações de que, diante do contexto, não existam condições mínimas para eleições livres”, disse.

O governo da Venezuela não comentou as afirmações, mas vem alegando que a crise em seu país é resultado de uma "guerra econômica" promovida pela oposição e pelo "imperialismo" americano.

Mortes

Zeid também afirma que a “liberdade de expressão e opinião tem sido severamente repreendida”. “Recebemos informações confiáveis de que centenas de assassinatos extrajudiciais ocorreram nos últimos anos, tanto durante os protestos como em operações de segurança”, afirmou ele, destacando a preocupação que existe diante do êxodo de venezuelanos de seu país.

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