GABRIELA BILO / ESTADÃO
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Entidade da ONU pede que governos abram suas fronteiras para venezuelanos

Organização lançou um novo guia sobre como lidar com o fluxo que já é considerado um dos maiores do continente americano nos últimos 70 anos, e apela para que nenhum cidadão seja deportado para Caracas

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 08h57

GENEBRA - O número de refugiados venezuelanos subiu em 2.000% desde 2014 e a ONU apela para que governos abram suas fronteiras para a população do país sul-americano, mesmo que não sejam considerados refugiados. Em um documento enviado às autoridades de diversos países, a entidade lançou um novo guia sobre como lidar com o fluxo que já é considerado um dos maiores do continente americano nos últimos 70 anos. O apelo é para que nenhum venezuelano seja deportado para Caracas.

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"Centenas de milhares de venezuelanos estão sem documentação ou permissão para permanecer de forma legal em países de asilo", declarou Aikatarini Kitidi, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados. "Sabemos que, a cada dia, mais e mais venezuelanos estão deixando o país", alertou.

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No total, ela indica que 1,5 milhão está vivendo no exterior e o fluxo é o maior desde 1950. Desses, 145 mil pediram asilo em diferentes países desde 2014. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, 3,8 mil pedidos de asilo foram feitos, praticamente o mesmo número referente a todo o ano de 2014.

"O movimento de pessoas está ocorrendo por várias razões, incluindo insegurança e violência, falta de alimentos, remédios e acesso a serviços sociais essenciais, assim como perda de renda", disse a porta-voz. "Ainda que nem todos os venezuelanos estejam saindo por motivos relacionados à busca de asilo, está cada vez mais claro que, mesmo que nem todos sejam refugiados, um número significativo deles precisa de proteção internacional."

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Além dos 145 mil pedidos de asilo, Aikatarini indica que "muitos mais precisam de proteção", assim como acesso a saúde e educação.

Para a ONU, governos da região latino-americana precisam pensar em conceder diferentes tipos de vistos para garantir maior assistência a essa população. A entidade alerta que, sem documentos, esses venezuelanos estão "vulneráveis a exploração, tráfico, violência, abuso sexual, discriminação e xenofobia".

"Pedimos a governos que adotem uma resposta pragmática de proteção para o povo venezuelano", apelou Aikatarini. Isso incluiria vistos temporários de residência, assim como planos de regularização e acesso a direitos básicos, como hospitais, educação, liberdade de movimento, abrigo e autorização para trabalhar. "Diante da situação na Venezuela, é crucial que as pessoas não sejam deportadas ou forçadas a retornar para o país."

Segundo a agência da ONU, uma primeira resposta custará ao menos US$ 46 milhões para lidar com o fluxo de refugiados. "Ainda que os governos na região tenham sido generosos em suas respostas, comunidades que recebem venezuelanos estão sob forte pressão e precisam imediatamente de ajuda robusta", afirmou a porta-voz.

Segundo ela, isso é fundamental para garantir uma "coexistência pacífica" entre os venezuelanos e a população local, assim como evitar manifestações de discriminação e xenofobia.

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