EFE/Ron Sachs **POOL**
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Entidades criticam fechamento dos EUA para refugiados sírios

Medidas que devem ser anunciadas nesta quarta-feira pelo presidente Donald Trump para restringir o acesso ao país por cidadãos de países muçulmanos foram atacadas por investigadores da ONU, ONGs e vítimas

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2017 | 11h10

GENEBRA - O presidente da Comissão de Inquérito da ONU para os Crimes da Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, classifica como "extremamente preocupante" a informação de que o presidente americano, Donald Trump, deve anunciar nesta quarta-feira, 25, o fechamento de fronteiras dos EUA para refugiados sírios. 

A medida, antecipada pela imprensa americana, fará parte de um pacote de iniciativas anti-imigração. Além de bloquear refugiados, Trump anunciará um veto a vistos para sete países com população essencialmente muçulmana. Outra medida esperada para esta quarta é a oficialização da construção de um muro na fronteira com o México.

Sobre a questão dos refugiados, Pinheiro afirmou que se trata de uma notícia extremamente preocupante "visto o esgotamento da capacidade dos países limítrofes, que acolheram mais de 4 milhões de sírios com enormes sacrifícios". 

"Justamente nessa hora em que se encaminha no próximo mês de fevereiro para a retomada das negociações da Síria, como medida de emergência, seria desejável que países com muitos recursos se envolvessem diretamente na guerra, acolhessem mais refugiados e não fechassem suas fronteiras", disse. 

A medida também foi criticada por Ken Roth, diretor da ONG Human Rights Watch. "Há um cruel simbolismo nessa decisão", afirmou. "É como se Trump fosse indiferente ao sofrimento. Essas pessoas estão fugindo do Estado Islâmico (EI). Mas Trump fecha as portas."

Para Roth, o argumento da segurança não é justificativa para não receber refugiados. "Se eu fosse um operador do EI, o último lugar que eu iria me passando por um refugiado seria os EUA. Eu entraria como estudante, empresário ou turista", disse. 

Apelo. Quem também mandou uma mensagem para Trump foi a menina síria que se tornou famosa por usar as redes sociais para relatar o cerco a Alepo. No documento, Bana al-Abed pediu "ajuda para as crianças sírias".

"Sou uma das crianças sírias que sofreu com a guerra na Síria", escreveu Bana, que hoje vive na Turquia. "Agora, na Turquia, posso sair e brincar. Posso ir ao colégio, apesar de ainda não ir. Por isso, a paz é importante para todo mundo, inclusive para o senhor", escreveu.

"Mas milhões de crianças sírias não estão como eu neste momento e continuam sofrendo em diferentes regiões da Síria", alertou a menina. "É preciso fazer algo pelas crianças da Síria porque elas são semelhantes a suas crianças e merecem viver em paz como o senhor."

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