Daniel Ochoa de Olza/AP
Daniel Ochoa de Olza/AP

Entidades de imigrantes da Espanha temem possíveis expulsões de brasileiros

Rajoy indica que vai endurecer política de acolhimento aos estrangeiros

Jamil Chade, enviado especial a Madri, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h03

MADRI - Associações de imigrantes brasileiros e de latino-americanos da Espanha revelam um "profundo desconforto" com a eleição de Mariano Rajoy para comandar o governo do país nos próximos quatro anos. Ontem, o Partido Popular (PP), que obteve ampla maioria nas eleições de domingo, indicou que vai adotar uma política de imigração mais dura.

A legenda insiste que não está recusando a entrada de estrangeiros no país. Mas quer que seja um movimento "legal, ordenado e vinculado a um emprego".

Para as ONGs, ao vincular a entrada de alguém a postos de trabalho, o novo governo anuncia que será mais duro no controle de quem chega à Espanha para ficar. O PP assume uma posição parecida à da direita de outros países europeus, indicando que não considera a situação da Espanha adequada para uma política de portas abertas a estrangeiros. Nos últimos dez anos, quase 5 milhões de imigrantes desembarcaram na Espanha, principalmente até 2008, quando se vivia ainda o boom econômico do euro. O governo de José Luis Rodríguez Zapatero chegou a promover a regularização de milhares de pessoas, algo que Rajoy já avisou que não vai permitir.

"A maioria dos brasileiros hoje está sem emprego e há um claro medo (entre essa comunidade) de um endurecimento da política de imigração", afirmou Rosario Caba, da Associação Hispano-Brasileira de Apoio ao Imigrante.

Em teoria, esses desempregados seriam os mais vulneráveis a possíveis expulsões. A entidade criou um banco de empregos para tentar encontrar trabalho para os imigrantes, além de promover cursos para capacitação dos estrangeiros.

Edineia da Silva Cabioch, do Núcleo de Entidades Brasil-Espanha, também teme pela perda de direitos dos imigrantes. "Vamos dar um grande passo atrás na questão da imigração nos próximos anos", disse. Segundo ela, empresas espanholas já começaram a adotar políticas de dar preferência a trabalhadores locais, diante da maior taxa de desemprego entre os espanhóis.

O Consulado do Brasil em Madri estima que, apenas em sua jurisdição, haja 120 mil brasileiros - sem contar os que vivem na região de Barcelona.

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