Thibault Camus/AP
Thibault Camus/AP

Entidades de imprensa condenam ataque à 'Charlie Hebdo'

Associação Mundial de Jornais (WAN-IFRA) e o Fórum Mundial de Editores condenaram o ataque

Cláudia Trevisan, de Washington / Corrspondente, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2015 | 12h36

Considerado um atentado direto contra a liberdade de expressão, o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo foi condenado de maneira unânime por entidades que representam jornalistas, pela imprensa em todo o mundo e causou uma onda de solidariedade nas redes sociais, com as hashtags #JeSuisCharlie e #CharlieHebdo.

Secretária-geral da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), a brasileira Beth Costa disse ao Estado que o atentado de ontem se diferencia das mortes de 118 jornalistas registrados pela entidade no ano passado. A maioria delas ocorreu em regiões de conflito, como Síria e Iraque. As vítimas de ontem caíram em uma das principais capitais da Europa, alvo de uma ação deliberada. “O ano de 2015 não começou bem para os jornalistas”, observou.

“Esse é um descarado assalto à liberdade de expressão no coração da Europa”, disse, em nota, o vice-diretor do Comitê para Proteção dos Jornalistas, Robert Mahoney. “A escala da violência é chocante. Os jornalistas devem se unir e enviar uma mensagem de que essas tentativas criminosas de nos silenciar não permanecerão de pé.”

O CEO da Associação Mundial de Jornais (WAN-Ifra), Vincent Peyrègne, condenou o atentado e defendeu a punição de seus autores. “Não é apenas um ataque contra a imprensa, mas um ataque contra o nosso tecido social e os valores que professamos”, afirmou, também em nota. “Isso deveria ser um alerta para nos contrapormos ao crescente clima de ódio que ameaça fraturar nossa compreensão da democracia.”

Para a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o ataque é um “ato de barbárie” contra uma sociedade democrática. “Atentados dessa natureza violam o direito de cada cidadão expressar suas opiniões sem nenhum tipo de represália”, declarou o presidente da entidade, Gustavo Mohme, para quem conflitos devem ser resolvidos nos tribunais, e não por meio da violência.

 Responsável pela Comissão para Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, o uruguaio Claudio Paolillo ressaltou que a sátira e o humor são gêneros que podem ser mais mordazes, mas de nenhuma forma justificam “ações violentas e detestáveis” como as de ontem. Segundo ele, essas formas de expressão devem ser protegidas pela lei e pela Justiça, que devem ser “implacáveis” contra os “intolerantes de qualquer natureza”.

Vice-secretário-geral da FIJ, Antony Bellanger disse ao Estado que o ataque ao jornal é uma “tragédia” para todos os jornalistas. “A redação foi totalmente dizimada e perdemos grandes cartunistas”, afirmou. 

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