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Entidades pedem mais proteção para menores refugiados que viajam sozinhos

Agências humanitárias traçam roteiro para fomentar a confiança entre crianças - que normalmente fogem das autoridades por medo de detenção - e as instituições que devem acolhê-las 'através de um mecanismo adaptado e amigável'

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 15h56

GENEBRA - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e a ONG Comitê Internacional de Resgate pediram nesta segunda-feira, 10, aos países europeus que melhorem os sistemas de acolhimento dos imigrantes menores de idade e em particular dos 70% deles que viajam desacompanhados.

As agências humanitárias traçaram um roteiro para fomentar a confiança entre as instituições e as crianças que, geralmente, fogem das autoridades por medo de detenção e ficam obrigadas a continuar por vias migratórias ilegais e perigosas. 

Segundo as entidades, as condições de vida das crianças que vão sozinhas à Europa pioraram a partir de 2015, quando a quantidade de menores de idade que chegaram à Grécia e à Itália se multiplicou, e agora a maioria enfrenta detenções ou deportações e têm poucas oportunidades de se juntar com a família.

"É um erro pensar que os menores estão seguros na Europa. A maioria é vítima de abuso, exploração e violência", disse a diretora adjunta do Departamento para a Europa da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), Diane Goodman.

As agências criticaram a detenção de meninas e meninos migrantes e recomendaram o registro rápido "através de um mecanismo adaptado e amigável". Uma vez realizada a identificação do menor, propuseram a designação imediata de cuidadores e de mediadores culturais da mesma comunidade de origem que quebrem as barreiras da linguagem entre a crianças e as instituições do país de acolhimento. Desta forma, o menor desenvolverá uma "relação de confiança" com as autoridades, que devem garantir que ele tenham confiança sempre levando em conta o melhor para ele".

Isto implica no acolhimento imediato da criança, sem tantos trâmites burocráticos, para que não fiquem com adultos ou criminosos nas ruas ou em estações de trem, como ocorre hoje dia, lembrou Diane.

"Os países devem assegurar que os meninos migrantes recebem o mesmo tratamento, cuidado e proteção que os do próprio país. Esta não é uma lista de desejos, mas uma lista de obrigações", afirmou David McLoughlin, diretor adjunto do departamento da Europa e a Ásia Central do Unicef.

As recomendações foram elaboradas após consultas com 9 países afetados e 100 profissionais - psicólogos, advogados e assistentes sociais, entre outros -, de acordo com a conselheira de proteção infantil do Comitê Internacional de Resgate, Annalisa Brusati. / EFE

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