Entrada de dólar na Venezuela cai 30% com baixa do petróleo

Segundo o presidente Nicolás Maduro, quedano preço do barril também pode fazer com que gasolina suba

CARACAS, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2014 | 02h02

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou na noite da quinta-feira que as receitas em dólar do país caíram 30% no período de um mês em razão da constante desvalorização do petróleo - seu principal produto de exportação - no mercado internacional. O líder chavista afirmou que seu governo continua avaliando a possibilidade de subir o preço dos combustíveis no país.

"Há uma baixa tremenda do petróleo. Perdemos 30% das receitas em dólares, em divisas, neste último mês - 30%, não é pouca coisa", declarou Maduro na TV estatal.

Em seu discurso, o presidente venezuelano voltou falar sobre o espinhoso tema do aumento da gasolina - após seu governo ter guardado silêncio sobre a possível medida. Com o preço subsidiado, o litro do combustível vale US$ 0,01 na Venezuela.

"Quando chegue a oportunidade, em consenso com toda nossa pátria, de estabelecer um novo sistema de preços para a gasolina, todos os recursos que saírem daí irão diretamente para as missões (os programas sociais do chavismo). Algum dia chegará esse momento, no que resta deste ano, no próximo ano, no outro, chegará esse dia", disse Maduro.

O valor médio do barril de petróleo venezuelano voltou a registrar uma considerável queda esta semana, fechando a US$ 70,83, segundo o Ministério de Petróleo e Mineração. Na semana passada, o barril de petróleo venezuelano tinha fechado a US$ 72,80. O ciclo de queda começou em 12 de setembro, quando o barril valia US$ 90,19.

"Durante esta semana, os preços dos petróleos continuaram baixando, afetados principalmente pelo excesso de oferta no mercado, o fortalecimento do dólar e a publicação de dados econômicos negativos da China", afirmou o ministério em relatório semanal.

A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo e obtém 96% de suas divisas estrangeiras com a exportação do insumo - que tem registrado os menores preços dos últimos quatro anos.

Preocupado com a constante queda no preço do petróleo, o governo venezuelano pediu uma reunião extraordinária da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual é membro, antes da assembleia regular da entidade, que ocorrerá no dia 27. Caracas não conseguiu o quórum necessário para o encontro antecipado.

Os países do Golfo têm se mostrado tranquilos com as atuais cotações do petróleo.

O chanceler venezuelano, Rafael Ramírez, que representa seu país na Opep, chegou ontem a Moscou, em meio a um giro que faz por países produtores de petróleo que já o levou a Argélia e Catar. / REUTERS e EFE

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