Entrada na Líbia ''de Kadafi'' requer negociação

O ingresso no território líbio controlado por Muamar Kadafi, o oeste do país, exige horas de negociações com agentes de fronteira e, principalmente, com insurgentes. Eventualmente, 26 horas. Estado e The Guardian entraram pelo posto de fronteira de Dehiba, na fronteira com a Tunísia. A cidade líbia mais próxima é Wazen, a primeira a oeste de Trípoli a cair nas mãos dos revoltosos. Quem quer cruzar precisa negociar com "passadores" - pessoas que vivem do comércio ilegal de combustíveis e alimentos. "Posso levá-lo em segurança por 60 quilômetros. Depois disso, não me responsabilizo", oferece um insurgente líbio. Passadores tunisianos tentam dissuadir estrangeiros. "Não vá, é muito perigoso. Líbios são bárbaros. Eles não são confiáveis e mudam de ideia a cada dois passos", diz I.M.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os obstáculos burocráticos na fronteira são maiores para quem não tem visto de entrada na Líbia - o país deixou de concedê-los. Entre os dois postos de fronteira, o tunisiano e o líbio, uma caminhonete de insurgentes apanha os estrangeiros e sobe pelo Saara, em claro desafio às autoridades. No interior do país, ao contrário do que se especula, a imprensa é bem recebida pelos rebeldes, que denunciam as atrocidades de Kadafi e tentam explicar suas intenções à opinião pública internacional. "É um orgulho tê-los aqui, porque podemos mostrar o que estamos passando", comemora Ali Abawama, que atua em uma cidade que ficou sitiada quatro dias por mercenários. "Os outros (jornalistas) foram para a parte já liberada."

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