Entre a guerra e as preces do Ramadã

Cenário: Andrei Netto

O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h01

As madrugadas de Alepo e outras cidades do norte da Síria mesclam uma atmosfera de festa, expectativa, medo e esperança. No Ramadã, o mês sagrado muçulmano marcado pelo jejum durante o dia, jovens insurgentes se reúnem por horas para confraternizar, cantar e planejar o país livre com o qual sonham. Ao fundo, o ruído das explosões.

As reuniões começam antes do início da noite, hora da prece que marca também o fim do jejum. Em 2012, o período de abstinência é o mais longo em 35 anos, chegando a 17 horas. Depois do êxodo de mais de 500 mil pessoas de Alepo, jovens se tornaram a maioria, autorizados pelos pais a ficarem para participar da rebelião.

Sem a autoridade paterna, eles comemoram a noite toda, mas sem esquecer dos riscos. Na quinta-feira, Ahmad Ajouz improvisou um sarau em sua casa, tocando alaúde até 4 horas. Depois disso, saiu com um megafone nas mãos, gritando palavras de ordem contra o ditador Bashar Assad pelas ruas escuras da periferia da cidade.

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