Entre alívio e luto, jovens relembram combates

Na principal base do regime em Benghazi,opositores avançaram sob fogo real das tropas; 500 teriam morrido

Lourival Sant?Anna, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

O humor de Hussein Zaery, de 27 anos, oscila fortemente. Participante do grupo de cerca de 2 mil jovens que enfrentaram as forças especiais de Muamar Kadafi entre os dias 17 e 20, ele faz o V da vitória com os dedos enquanto canta um hino criado pelos "revolucionários", em desafio ao ditador: "Pode mandar os seus túmulos, seus aviões de guerra, que não temos medo."

Daí a pouco o sorriso dá lugar às lágrimas, quando fala dos 500 jovens, segundo sua estimativa, que morreram no assalto ao Katiba al-Fathel Abu Omar, a fortificação de Kadafi em Benghazi, onde o ditador se hospedava com a família quando vinha à cidade, em média uma vez por ano, prendia seus opositores e abrigava suas temidas forças especiais.

Os jovens se juntaram e organizaram a produção de granadas de pólvora caseiras e coquetéis molotov depois da violenta repressão aos protestos inicialmente pacíficos dos dias 15 e 16. A partir do dia 17, passaram a fustigar os soldados encastelados na fortificação, que reagiram abrindo fogo com fuzis Kalashnikov contra eles.

As cenas dos jovens enfrentando os tiros sem recuar, registradas pelas testemunhas com seus celulares, impressionaram e encorajaram os líbios. Depois de quatro dias e quatro noites de batalha, o Exército aderiu aos jovens e os integrantes das forças especiais abandonaram a fortificação.

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