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Entre manifestantes, acordo é recebido com ceticismo

Avaliação de ativistas é que não se pode confiar no presidente Yanukovich e mobilização em Kiev deve ser mantida

Lourival Sant'Anna , Enviado especial - O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2014 | 02h07

KIEV - As concessões do presidente Viktor Yanukovich foram recebidas com ceticismo pelos manifestantes da Praça da Independência, em Kiev, que continuou ocupada por milhares de pessoas. Ninguém ouvido pelo Estado se declarou disposto a abandonar a praça, conquistada com tanto sacrifício.

"Quero ver primeiro se as eleições serão justas", disse Oleh Kontenko, de 43 anos, que tirou férias da empresa privada em que trabalha para participar dos protestos. "E o governo de transição tem de ser totalmente composto pela oposição."

Makola, de 34 anos, que feriu a mão em uma barricada e era atendido por médicas voluntárias, foi mais longe: "O presidente e os outros membros do governo têm de renunciar e ser presos pelas mortes de ontem (quinta-feira)". Makola, que participa há um mês das manifestações, disse que trabalha na construção civil em outros países e gostaria de ter emprego com salário digno na Ucrânia.

Oksana tem 35 anos e trabalha como contadora em uma empresa de aviação. Ela acha que a antecipação das eleições só vale a pena se trouxer uma "mudança completa no regime". Oksana não tem certeza de que os líderes opositores sejam uma boa opção, mas diz que votaria no ex-boxeador Vitali Klitsckho, um dos líderes da oposição, em quem votou para deputado em 2010.

Um médico voluntário de 30 anos que se identificou como Kuk declarou que apoia a antecipação das eleições, mas não até o fim do ano e sim para já. "Não confio nos líderes da oposição", disse. "Não sei quem pode substituir o atual governo."

Anton, de 45 anos, e Oleh, de 50, lutaram na guerra do Afeganistão (1979-89), nas tropas da antiga URSS, à qual a Ucrânia pertencia. Hoje, comandam a guarda popular que enfrenta a polícia na Praça da Independência. Eles também não confiam em partidos e reivindicam que ONGs tenham um papel mais importante. "Pessoas que nunca estiveram no poder precisam tentar", disseram.

Anton e Oleh dizem que as mudanças na Constituição, devolvendo poderes do presidente para o Parlamento, não são suficientes e a Ucrânia precisa de uma Constituição completamente nova.

"Estamos prontos para deixar a praça depois das eleições, não antes", afirmou Nasar, estudante de 22 anos, que integra a guarda popular. "Não confiamos nesse governo."

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