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Entre presidente e juiz da Suprema Corte, só a Bíblia

John G. Roberts Jr. ouvirá juramento de Obama, que votou no Senado contra sua indicação

Linda Greenhouse, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

Quando o presidente da Suprema Corte, John G. Roberts Jr., ouvir hoje o juramento de Barack Obama, o intercâmbio pessoal momentâneo desses dois superastros baby-boomers tardios poderá não parecer igualmente carregado. Mas haverá eletricidade no encontro.Para começar, Obama foi um dos 22 senadores democratas que votaram contra a confirmação de Roberts para a Suprema Corte em 2005. Roberts tinha um histórico brilhante e amplas qualificações, disse Obama. Mas a "filosofia política geral" do indicado o preocupava, continuou ele, acrescentando: "É minha avaliação pessoal de que ele usou, com muita frequência, suas habilidades formidáveis em favor dos fortes em oposição aos fracos."O mais chocante sobre os dois homens que ficarão à distância de um braço, com a Bíblia de Lincoln entre eles, é a diferença nas trajetórias que os trouxeram a esse momento. Em seu quadro vivo, eles representarão duas faces de uma geração que chegou à idade adulta depois do Vietnã, depois das fantasias e tragédias dos anos 1960, depois das marchas pelos direitos civis terem terminado, quando as cidades ainda estavam fumegando, mas não mais ardendo.John Roberts foi criado na Indiana suburbana e enviado a um pequeno internato para meninos católicos que fora criado cinco anos antes por empresários de Chicago e Indiana, como seu pai, um executivo da indústria siderúrgica. Barack Obama, sem pai, batalhou para construir uma identidade pessoal numa renomada escola do Havaí fundada em 1841 para educar os filhos de missionários brancos e onde ninguém se parecia muito com ele.Ainda assim, a inteligência e o ímpeto levaram esses dois ao mesmo lugar, a Faculdade de Direito de Harvard. Eles não se cruzaram ali, mas ambos foram nomeados para a revista da faculdade, na qual John Roberts foi editor-gerente e Barack Obama foi eleito presidente.Tendo seguido da faculdade para a pós-graduação em direito, John Roberts continuou: secretariado para um estimado juiz do Tribunal Federal de Recursos, Henry J. Friendly; seguido por um secretariado para William Rehnquist na Suprema Corte, depois como juiz da Suprema Corte; seguido por cargos de responsabilidade no Departamento de Justiça e escritório de consultoria da Casa Branca, além de sociedade num grande escritório de advocacia. Ele defendeu 39 casos na Suprema Corte e foi considerado, tanto por juízes como por adversários, como um dos melhores.O percurso de Obama o levou a passar cinco anos entre a faculdade e a pós-graduação em direito trabalhando como agente comunitário, e voltar ao trabalho de desenvolvimento da comunidade, junto com o ensino de direito em tempo parcial, depois de sair de Harvard e antes de migrar finalmente para a política eleitoral. Talvez o presidente do tribunal e o novo presidente possam desejar-se boa sorte. Quando os dois se encontraram, na quarta-feira, na sala de conferências oeste da Suprema Corte a convite de Roberts, eles ficaram sob um enorme retrato do presidente da Suprema Corte, William Howard Taft - o único presidente que veio a se tornar juiz desse tribunal. Mesmo que o presidente eleito Obama sirva dois mandatos, ele só terá 55 anos quando deixar a Casa Branca. Será implausível supor que a Corte de Roberts esteja no futuro desse antigo professor de direito constitucional em mais de uma maneira?

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