Entrega de armas ao Irã foi apenas atrasada, diz Rússia

A entrega ao Irã de mísseis de defesa aérea avançados S-300, fabricados pela Rússia, foi atrasada apenas por razões técnicas, afirmou ontem Alexander Fomin, vice-chefe do Serviço Federal para Cooperação Técnico-Militar da Rússia, segundo a agência Interfax. "A entrega será feita assim que eles estejam resolvidos." Ele não esclareceu quais seriam esses problemas técnicos nem quanto levará para repará-los

AE, Agencia Estado

18 de fevereiro de 2010 | 10h03

O contrato russo para vender os mísseis terra-ar S-300 ao Irã causou temor nos Estados Unidos e em Israel. Esses países acreditam que Teerã possa usar os sofisticados mísseis de defesa aérea para proteger suas instalações nucleares.

Potências ocidentais suspeitam que o Irã busque produzir armas atômicas, em um programa nuclear secreto camuflado por seu programa nuclear civil. O governo iraniano afirma, porém, ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

Israel não descarta realizar ataques aéreos para evitar que o Irã adquira armas nucleares, enquanto autoridades norte-americanas deram declarações divergentes sobre a possibilidade de uma ação militar. Analistas afirmam que os S-300 russos poderiam dificultar bastante um ataque aéreo do tipo.

A Rússia não tem divulgado informações sobre esse contrato com o Irã. Segundo a agência de notícias, ele prevê que Moscou venda cinco baterias de mísseis ao país persa por cerca de US$ 800 milhões. O material é um sistema móvel, capaz de abater aeronaves e mísseis de cruzeiro.

O Irã já demonstrou frustração com o atraso na entrega. Na semana passada, um alto comandante iraniano afirmou que Teerã construirá seu próprio sistema de defesa aérea, que seria melhor ainda que o S-300.

Críticas

Os comentários de Fomin sobre o atraso vêm a público em um momento em que a relação até então boa da Rússia com o Irã sofre com alguns ruídos, em meio à divergência internacional sobre o programa nuclear iraniano. Na terça-feira, Moscou se uniu a EUA e França para criticar o novo passo de Teerã de enriquecer urânio a porcentagens maiores.

A Rússia afirmou que não descarta uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança (CS) contra a república islâmica. Ao lado de EUA, China, França e Grã-Bretanha, a Rússia tem poder de veto nesse órgão da ONU. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou Moscou esta semana, em uma tentativa de obter apoio do Kremlin a novas sanções ao Irã. As informações são da Dow Jones.

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