Benjamin Laible/En Marche
Benjamin Laible/En Marche

Entrevista: ‘Profissionais da política dominam a França’

Candidato escolhido pelo República em Movimento, partido de Macron, no 15º distrito de Paris já foi conselheiro de Jacques Chirac

Entrevista com

Hugues Renson

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2017 | 05h00

Na quinta-feira, o novo partido de Emmanuel Macron, República em Movimento (REM), apresentou seus primeiros 428 candidatos às eleições parlamentares. Hugues Renson foi escolhido para ser o candidato a deputado pelo REM no 15º distrito de Paris. Nessa região, a mais populosa da capital, Macron venceu o primeiro turno com 35,71% dos votos, enquanto François Fillon, do partido Republicanos, teve 31,15%. No segundo turno, a vitória do novo presidente sobre Marine Le Pen foi esmagadora: 87,14% dos votos. Como todos os candidatos do REM, Renson deve representar a renovação política. Mas ele foi ao longo de 10 anos conselheiro e chefe de gabinete de Jacques Chirac, presidente eleito pela direita. A escolha não é por acaso: o 15º distrito é tradicionalmente um reduto da direita, e seu principal adversário será o atual deputado Jean-François Lamour, ex-ministro do Esporte e ex-conselheiro de… Chirac. Renson testemunha assim uma das estratégias com as quais Macron pretende conquistar a maioria na Assembleia Nacional: adaptando-se a cada circunscrição. A seguir, principais trechos da entrevista ao Estado.

O que atraiu sr. no movimento En Marche?

Nós estamos vivendo um momento essencial e histórico de recomposição política. Elegemos um presidente da república que é jovem, dinâmico, otimista, pró-Europa, que quer projetar a França no século 21. Foi esse processo positivo, de recomposição, que me seduziu. Sair das velhas divisões, dos velhos partidos, e oxigenar a vida política na França… Os observadores exteriores da vida política da França sabem que ela está sob o domínio de profissionais da política, que de mandato em mandato, de carreira em carreira, estão aí, seja de direita ou de esquerda, opondo-se em oposições estéreis, às vezes de fachada. Chegou a hora de sair da profissionalização da política.

O sr.  não era filiado ou militante de um partido antes do En Marche?

Não, eu não era nem filiado, nem militante de nenhum partido político. Porém, na minha vida profissional eu trabalhei com Jacques Chirac durante dez anos, quando ele era presidente da República. 

O sr. tinha uma sensibilidade de direita ou centro-direita?

Eu nunca me engajei politicamente. Para mim, é muito mais complicado do que isso. Aliás, é por isso que eu sou sensível ao discurso de Emmanuel Macron. O que é certo é que na minha carreira profissional eu tive uma passagem ao lado de Jacques Chirac que, como você sabe, é catalogado como um homem de direita. 

A votação de Macron no primeiro turno foi elevada, no segundo turno foi esmagadora. Para o sr., está ganho?

Nenhum combate pode ser vencido por antecipação, assim como nenhum combate se perde por antecipação. Nós vamos defender nossas convicções, com a vontade de explicar aos eleitores que é preciso dar coerência à vida política. Nada poderia ser pior do que escolher no mês de maio um presidente da república jovem e dinâmico, que quer quebrar os códigos da França, e transformá-la, e de amarrar suas mãos no mês de junho com uma coabitação paralisante que daria origem a um governo imóvel e seria nomeado pelas personalidades do mundo antigo, do antigo sistema político. 

Como o sr. pretende fazer sua campanha no 15º distrito de Paris?

Sou candidato em uma circunscrição que normalmente vota mais à direita, e logo será necessário fazer um trabalho de pedagogia. Na minha circunscrição, quando observamos os resultados da eleição presidencial, Emmanuel Macron chegou em primeiro já no primeiro turno, com ampla vantagem. Foi uma excelente surpresa. Sinto que há uma acolhida favorável mesmo em circunscrições julgadas difíceis. Você me perguntou como fazer campanha. Eu vou me apoiar em milhares de militantes do En Marche do 15º distrito de Paris. Essa é a força desse movimento, que foi criado há um ano. Partimos do nada, um ano após seu líder se torna presidente da república, e hoje temos 310 mil militantes e só no 15º distrito de Paris tínhamos mais de 4 mil militantes antes da eleição, chegando a 5,5 mil após, o que mostra que há uma dinâmica em torno de Macron. São pessoas que querem levar a cabo a transição.

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