ENTREVISTA-Elites se ressentem do poder indígena, diz Morales

O presidente boliviano, EvoMorales, disse que as elites ricas estão tentando criarobstáculos para as suas reformas de esquerda porque não gostamde ter um índio liderando um país sul-americano. Menos de dois anos depois de se tornar o primeiro líderindígena da Bolívia, Morales enfrenta uma dura oposição de seusrivais da direita e protestos de ruas que às vezes se tornamviolentos, como os que explodiram no país pobre nos últimosmeses. Morales, que foi pastor de llamas nos Andes na infância,antes de cultivar coca, disse em entrevista à Reuters quepersiste a discriminação contra a maioria indígena da Bolívia. "O que mais me preocupa são as ações da oligarquia, aguerra suja. A discriminação continua", afirmou em entrevistaconcedida na noite de sábado em um avião militar que partiu dacidade de Riberalta, na Amazônia. "Em algumas cidades, grupos de pessoas falam em exaurir osíndios, em eliminar os índios... Elas não aceitam que um índioesteja governando bem", disse Morales, que estava vestido comjeans. Pesquisas recentes indicam que Morales tem uma taxa depopularidade de cerca de 57 por cento, mas os protestos criamuma pressão sobre o seu governo e paralisaram o seu esforço dereformar a constituição de forma a dar mais poder aos índiosbolivianos. Morales acusa a oposição de direita e líderes civis deorquestrarem os protestos no leste do país, em uma tentativa deenfraquecê-lo. Alguns críticos de Morales no leste dizem queele quer impor um governo indígena. A Bolívia pode ser dividida, a grosso modo, por etnias. Nasplanícies do leste vivem os descendentes de europeus, enquantoos povos indígenas estão concentrados nos Andes, no ocidente.

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