ENTREVISTA-Líder da oposição pede pressão mundial contra Mianmar

A junta militar que governa Mianmaré sensível à opinião internacional, apesar de seuisolacionismo, disse um líder exilado da oposição naquarta-feira. Ele fez um apelo para que o mundo amplie apressão financeira e política na tentativa de provocar mudançasna antiga Birmânia. "A pressão internacional significa alguma coisa para oregime. Eles realmente estão preocupados com isso", disse MaungMaung, secretário-geral do oposicionista Conselho Nacional deUnião da Birmânia, que mora na Tailândia. "Por que eles permitiriam a entrada de Gambariimediatamente se não se importassem com o mundo exterior?",perguntou, numa referência ao enviado especial da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari, que visitará o paísentre os dias 3 e 8 de novembro em sua segunda missão ao paísasiático. Monges budistas realizaram na quarta-feira seu primeiroprotesto desde que as tropas do país esmagaram as manifestaçõespró-democracia no mês passado. Falando na véspera de sua ida ao painel de direitos humanosdo Congresso dos Estados Unidos, Maung Maung disse que o mundonão pode se contentar com visitas periódicas de Gambari. "Tem de haver um escritório coordenado pelosecretário-geral (da ONU), Ban Ki-moon, que possa monitorar oseventos diários", disse ele à Reuters. Para Maung Maung, a presença da ONU pode pôr fim àsatrocidades e impedir que a junta se afaste do diálogo políticocom a líder oposicionista Aung San Suu Kyi, atualmente detidaem prisão domiciliar. A mídia estatal de Mianmar afirma que 10 pessoas, incluindoum cinegrafista japonês, foram mortas quando soldados foramenviados para limpar as ruas de Yangon e de outras cidades.Governos ocidentais, no entanto, afirmam que o número de mortosdeve ser muito maior. Maung Maung disse que seu grupo estima em 40 que o númerode mortos na repressão do mês passado. Ele disse, no entanto,que há investigações de que vítimas fatais teriam sidoimediatamente cremadas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.