ENTREVISTA-McCain combaterá déficit orçamentário, diz assessor

O candidato do Partido Republicano àpresidência dos EUA, John McCain, está empenhado em resolver oproblema dos gastos compulsórios no setor previdenciário dopaís e está ciente de que não basta cortar os itensdispendiosos do orçamento para resolver os problemas fiscais,afirmou um importante assessor dele à Reuters. McCain, senador pelo Estado do Arizona, critica há bastantetempo os gastos advindos de emendas de congressistas e fez dapromessa de eliminá-los um dos principais pontos de seuprograma para a área econômica. Críticos dizem que cortar tais gastos não deixará o paísnem mesmo perto de solucionar seu déficit orçamentário, algoque, segundo economistas de instituições privadas, podeexplodir quando a populosa geração do "baby boom" aposentar-se. Douglas Holtz-Eakin, principal assessor de McCain para aárea econômica, disse em uma entrevista que bilhões de dólarespoderiam ser poupados ao cortar as gorduras orçamentárias, masconcordou que isso não significaria uma cura para o problema dodéficit. Mesmo com um Orçamento mais enxuto, afirmou, "ainda haveriapressões sobre os gastos" por causa dos custos futuros doprograma de aposentadoria da Seguridade Social e dos programasde atendimento médico do Medicare e do Medicaid. Os políticos norte-americanos, de um modo geral, concordamque a ameaça de estouro nos gastos compulsórios precisa serenfrentada, mas as propostas sugeridas para solucionar oproblema transformaram-se, várias vezes, em estopins deacirradas polêmicas.Foi o que o presidente do país, George W. Bush, descobriuquando seu malsucedido plano para reformar a Seguridade Socialtornou-se munição para os democratas nas eleições legislativas. Holtz-Eakin disse que, se cumprir sua promessa de levarmais rigidez para outras áreas do orçamento, McCain conseguiriao respaldo necessário para tratar dos gastos compulsórios. "Se não mudarmos a atual cultura de gastos e se nãodeixarmos claro para a população norte-americana que estamosfazendo isso em nome do interesse nacional, ninguém terá aautoridade moral suficiente para tratar das questões maiscomplicadas", afirmou o assessor, em entrevista concedida àReuters. "Nós vamos limpar o orçamento minuciosamente," disseHoltz-Eakin, acrescentando que McCain mobilizaria suasenergias, depois disso, para controlar o futuro crescimento dosgastos da Seguridade Social e para mudar a forma como oPentágono contrata empresas, a fim de acabar com as práticasresponsáveis por desperdícios. Os esforços já realizados por McCain a respeito desseúltimo quesito, quando torpedeou um recente acordo selado peloPentágono com a Boeing, provocaram uma tempestade política. Uma semana atrás, a Força Aérea fechou um programa de 35bilhões de dólares para construir um avião de reabastecimentoem vôo com a arqui-rival da Boeing, a Airbus, e o parceirodesta, a Northrop-Grumman. McCain liderou uma investigação que jogou por terra umaproposta anterior da Força Aérea de usar em regime de leasing100 Boeings 767 de reabastecimento em vôo. A respeito da Seguridade Social, McCain não quis entrar emmuitos detalhes porque, segundo diz, as mudanças precisam serestudadas no Congresso, pelos democratas e republicanos. O candidato, de toda forma, mostrou-se aberto a medidascomo diminuir o ritmo de correção dos futuros benefíciosalterando a forma como são indexados à inflação. Em uma entrevista concedida ao diário The Wall StreetJournal, nesta semana, McCain disse ser favorável ao plano deBush para criar contas de aposentadoria em regime privado. O republicano enfrentará, nas eleições presidenciais denovembro, ou o senador Barack Obama ou a senadora HillaryClinton, que ainda disputam a vaga do Partido Democrata naquelepleito. As pesquisas indicam que os eleitores norte-americanoscolocam a economia no alto de sua lista de prioridades -- acimaaté mesmo da impopular guerra no Iraque. (Reportagem adicional de Andy Sullivan)

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