ENTREVISTA-ONU critica falta de ação de países ricos sobre clima

Os países industrializados estãodeixando de assumir a liderança das discussões climáticas emBonn, apesar de os países em desenvolvimento demonstrareminteresse em um novo tratado global contra o aquecimento, dissena quarta-feira o principal representante da ONU para questõesdo clima. Yvo de Boer previu também que a política climáticanorte-americana ficará mais ambiciosa sob o próximo presidente,seja ele o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain. "Não vemos no momento a liderança dos paísesindustrializados, que eu acho essencial", disse De Boer àReuters durante a conferência, que vai de 2 a 13 de junho --parte do processo preparatório de um novo tratado global a serconcluído até o final de 2009, para entrar em vigor em 2012. Para De Boer, há "uma enorme disposição por parte dospaíses em desenvolvimento para se engajar" em um novo acordo,em troca de ajuda e tecnologia. Ele citou os casos do México, que defende um novo mecanismofinanceiro contra o aquecimento, a ser financiado por paísesricos e pobres, da África do Sul, que apresentou um plano parareduzir suas emissões pela metade, e da Índia, que vai divulgarneste mês uma nova estratégia climática. Pelo Protocolo de Kyoto, que vigora até 2012, os países emdesenvolvimento não estão obrigados a assumir metascompulsórias para a redução das emissões de gases do efeitoestufa. Há grande pressão para que grandes países emdesenvolvimento sejam incluídos nessas metas no próximotratado. Para isso, porém, esses países dizem precisar de maistecnologia -- como de energia solar e eólica -- e de dinheiropara se adaptar aos transtornos provocados pela mudançaclimática. De Boer disse que a escalada do preço do petróleo estimulao interesse pelas energias renováveis, apesar da preocupantecorrelação entre os biocombustíveis e a atual alta global nopreço dos alimentos. O chefe do Secretariado Climático da Organização das NaçõesUnidas (ONU) disse que os países ricos deveriam dedicar maisênfase ao cumprimento das suas metas de corte de emissões até2020, em vez de se preocupar tanto com metas mais ambiciosas delongo prazo -- como a de reduzir as emissões pela metade até2050, o que será discutido em julho na cúpula do G8. "Eu me ajoelho em frente da minha cama toda noite e peçopara termos um compromisso dos países do G8 para 2020, mas nãoacho que minhas orações estejam sendo ouvidas no momento",afirmou ele. Na opinião dele, metas para 2050 são menos relevantes parainvestidores desejam conhecer imediatamente eventuaisrestrições ou estímulos a um ou outro tipo de energia. O Japão, anfitrião da cúpula, anunciou na segunda-feira ameta de reduzir suas emissões em 60 a 80 por cento até 2050. Naterça-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush, disse que épossível concluir um novo acordo climático ainda durante seumandato, que termina em janeiro. De Boer disse que o processo está transcorrendo "tão rápidoquanto se poderia esperar realistamente", mas que ainda háenormes desafios para concluir o tratado até o final de 2009.

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