REUTERS/Federico Gutierrez
REUTERS/Federico Gutierrez

Entrevista: ‘Os uruguaios não podem ter problemas de insegurança’

Pré-candidato à presidência defende convocação de plebiscito para que militares possam combater o crime

Entrevista com

Jorge Larrañaga, senador e pré-candidato à presidência do Uruguai

Carlos Tapia / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2019 | 05h00

MONTEVIDÉU - O advogado Jorge Larrañaga, de 62 anos, é um dos pré-candidatos a uma vaga do Partido Nacional na disputa presidencial no Uruguai. No dia 25, ele entregou ao Tribunal Eleitoral 400 mil assinaturas para convocar um plebiscito que autoriza o uso de militares no combate ao crime. 

Por que o sr. quer que os militares combatam o crime?

Porque precisamos de mudança. Não é a militarização da segurança. É uma segunda força, como existe em Portugal, Espanha, França, Itália, Holanda e Chile. Queremos que uma segunda força de 2 mil militares, com funções policiais, colabore com o Ministério do Interior. 

Os militares vêm obtendo espaço na região. Isso não daria poder demais às Forças Armadas?

São coisas diferentes. O Uruguai não tem nada a ver com Brasil e Venezuela. No Brasil, em algumas partes, a segurança foi entregue completamente às Forças Armadas. Na Venezuela, há uma ditadura. 

Mas desde a ditadura uruguaia os militares não patrulham as ruas, certo?

Você não pode olhar com os olhos do que aconteceu na ditadura. Durante a ditadura, enfrentávamos uma ruptura institucional, um colapso da democracia. Os militares agiam sem nenhum apego à legalidade. Agora, será uma operação no âmbito da Constituição.

Os sindicatos e a Frente Ampla farão campanha contra a proposta. O que sr. pensa disso?

Eles farão campanha contra 400 mil assinaturas, contra milhares que queriam assinar, mas não conseguiram, contra parentes de vítimas. Mas, como alternativa, eles também não apresentam nada. Eles não fazem nada há 15 anos.

O sr. defende que, após a sentença máxima de 30 anos, a Justiça decida se o preso será ou não libertado. Isso legaliza a prisão perpétua?

Isso ocorre apenas em três tipos de crime: estupro e assassinatos de menores; assassinatos encomendados e múltiplos homicídios. Não é legalizar a prisão perpétua, é pena permanente passível de análise. Algo que existe no Chile. Não deveríamos ficar horrorizados com essas coisas. Isso é para pessoas que cometem crimes horrendos. Se após 30 anos demonstrarem que estão reabilitados, recuperarão a liberdade.

Quanto tempo ele ainda ficará preso?

Até mostrar reabilitação.

E a volta das batidas policiais noturnas, que não ocorrem desde a ditadura?

As batidas policiais noturnas não ocorrerão toda hora. Precisarão sempre de autorização de um juiz competente, que deve atestar a suspeita de um crime. O lar continua sendo sagrado, mas os criminosos o violam constantemente. Por isso estamos em desvantagem. Não acredito que estes sejam os únicos instrumentos que podemos usar. É preciso também adotar políticas sociais e de reabilitação. Somos 3,5 milhões de habitantes. Os uruguaios não podem ter problemas de insegurança.

No passado, o sr. foi contra a redução da maioridade penal, argumentando que não era certo explorar o medo da população. Agora sua campanha se chama ‘Viver Sem Medo’. O que mudou?

Mudou o país. A situação da época não é a mesma de agora. Talvez eu pudesse ter sido mais duro cinco anos atrás. A insegurança e o crime aumentaram. 

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