ENTREVISTA-Pai de mulher de Bin Laden rejeitava o casamento

O pai da mulher mais jovem de Osama bin Laden, ferida no ataque dos EUA que matou o líder da Al Qaeda, disse que, inicialmente, havia sido contra a proposta de que sua filha se casasse com Bin Laden, mas acabou abençoando a união.

MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

15 de maio de 2011 | 17h32

O iemenita Ahmed Abduk-Fattah al-Saada disse que sua filha e Bin Laden se casaram em 1999, bem antes dos ataques de 11 de setembro de 2001 aos EUA, e que tudo que sabia sobre as atividades políticas do líder da Al Qaeda era que ele havia apoiado os rebeldes que lutaram contra as forças soviéticas no Afeganistão.

Saada disse à Reuters que foram necessários diversos pedidos antes que ele permitisse que sua filha Amal, um dos seus 17 filhos, viajasse para o Afeganistão para se casar com Bin Laden quando ela tinha 18 anos e ele estava com mais de 40.

"Minha filha era a esposa de Osama bin Laden, só isso, e ela não tinha nenhuma relação com a organização Al Qaeda. Estou certo da sua inocência", disse ele à Reuters durante uma entrevista na sua casa modesta na capital do Iêmen, Sanaa, acrescentando que ele gostaria que a filha voltasse do Paquistão para a casa da família.

"Não somos a favor das ações de Bin Laden ou da organização Al Qaeda. Acreditamos na coexistência entre as pessoas."

O Iêmen, terra dos ancestrais de Bin Laden, é o lar de um braço ativo regional da Al Qaeda que assumiu a responsabilidade por uma tentativa frustrada de explodir um avião com destino aos EUA. O mesmo grupo também foi acusado de enviar bombas numa carga destinada aos EUA em 2010.

Militantes bombardearam o navio de guerra dos EUA USS Cole no porto de Aden em 2000. Dois anos mais tarde, um ataque da Al Qaeda danificou o petroleiro francês Limburg, no Golfo de Aden.

Muitos daqueles que foram treinados nos campos da Al Qaeda no Afeganistão, antes dos ataques de 11 de Setembro, vieram do Iêmen.

Saada disse que sua filha entrou em contato com Bin Laden quando era uma adolescente que estudava em uma escola religiosas islâmica, onde foi aluna da esposa de Rashad Mohammed Saeed, a quem ele descreveu como sendo um assessor do líder militante.

Ele disse que não recebeu nenhum dinheiro do saudita Bin Laden pelo casamento.

"Rashad pediu que sua esposa escolhesse uma garota para casar com Bin Laden, porque ele queria uma esposa iemenita. A professora escolheu a minha filha", disse, acrescentando que o homem inicialmente lhe disse que um empresário paquistanês queria a mão da sua filha.

"Inicialmente eu recusei, insistindo em saber quem era essa pessoa. Depois que eles disseram que era Osama bin Laden, de uma família rica da Arábia Saudita", acrescentou.

Mais tarde ele cedeu porque sua filha estava a favor da ideia: "Ela insistiu no ponto de vista dela e disse que queria se casar com ele, e eu não impus nenhum marido à nenhuma das minhas filhas. Por isso concordei".

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