ENTREVISTA-Qualidade de ajuda financeira precisa aumentar--ONU

Países ricos devem aumentar a qualidade da ajuda financeira a países em desenvolvimento mesmo que a crise econômica global impossibilite o aumento dos níveis de ajuda, disse uma autoridade da Organização das Nações Unidas no domingo. Com algumas nações entrando em recessão e outras à beira da crise, as Nações Unidas e países em desenvolvimento temem que nações ricas não vão cumprir com seus compromissos. A Itália já afirmou que irá cortar seu orçamento para desenvolvimento e outros países deverão copiar a medida. Salil Shetty, diretor da Campanha do Milênio das Nações Unidas, com metas para diminuir a miséria pela metade e aumentar a expectativa de vida até 2015, afirmou que a crise financeira pode forçar uma reavaliação da ajuda financeira por alguns países. "Já que estamos falando de tempos difíceis, podemos ao menos melhorar a qualidade da ajuda?", disse Shetty à Reuters. "A maioria desses países dá dinheiro para os locais errados e para coisas erradas. Não está indo para os países mais pobres para atingir os objetivos. A metade vai para interesses políticos, para abrir mercados e outras coisas." As declarações de Shetty foram feitas durante o encontro das Nações Unidas sobre financiamentos para o desenvolvimento que vêm sendo ofuscados pela crise financeira e pela disputa entre países ricos e em desenvolvimento sobre a reforma de instituições como o FMI e o Banco Mundial. A crise financeira congelou financiamentos, forçando trilhões de dólares em operações de resgate por governos e empurrando muitas nações para a recessão. A crise atingiu nações em desenvolvimento por meio das alterações no comércio, na ajuda e pela falta de acesso a mercados de crédito. Shetty disse que os países mais pobres precisam ter mais controle sobre como gastar seus fundos de ajuda. Em troca eles precisam conter a corrupção e aumentar a transparência - ao invés de ficarem presos às condições de países doadores. "(Eles dizem) se você quer o dinheiro, então você vai ter que comprar meus produtos e serviços. Basicamente você dá com uma mão e tira com a outra. Então não dê, guarde para você", ele disse. Doadores devem também enviar menos delegações para inspecionar o resultado de seus financiamentos, segundo Shetty. De acordo com as estimativas do Banco Mundial, 40 milhões de pessoas vão ser levadas à pobreza em 2009 como resultado da crise financeira global e das consequências econômicas. Shetty disse que países pobres, que são antes de mais anda os responsáveis pelo alcance das metas de desenvolvimento do Milênio, não deveriam ter permissão para citar a crise financeira como justificativa para corte em gastos sociais. "Assim como os países ricos estão dando desculpas, nós não queremos países pobres dando desculpas", afirmou ele. "Eles têm a mesma responsabilidade em garantir que os investimentos (para as metas do Milênio) sejam protegidos e ampliados, porque são os pobres que não devem sofrer com os choques até mesmo de pequenas mudanças."

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