AFP PHOTO
AFP PHOTO

Entrevista: ‘Quero renegociar preços de Itaipu pelo valor de mercado’

Efraín Alegre Sasiain, candidato do Partido Liberal à presidência do Paraguai, promete investir em infraestrutura para aproveitar melhor a energia produzida no país

Fernanda Simas, ENVIADA ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 05h00

Se for eleito presidente do Paraguai, o candidato do Partido Liberal, Efraín Alegre, promete reavaliar o contrato de Itaipu. “Precisamos construir nossa infraestrutura para utilizar nossa energia”, disse Alegre, em segundo lugar nas pesquisas – o favorito é Mario Abdo Benítez. “Quero renegociar os preços de Itaipu pelo valor de mercado.” A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado

+ Com candidato governista 20 pontos à frente, Paraguai encerra campanha presidencial

Seu programa fala em renegociar o acordo de Itaipu. Qual é a sua proposta?

Precisamos formar um grupo de trabalho. A energia é um recurso abundante e não está sendo usada para nosso desenvolvimento. Estamos exportando desenvolvimento para Brasil e Argentina. Precisamos construir nossa infraestrutura para utilizar nossa energia. Isso não quer dizer que vamos usar toda a energia, porque temos excesso e vamos continuar vendendo aos países que são nossos sócios. No entanto, quero renegociar os preços pelo valor de mercado. Dessa forma, poderemos ter em 2022 uma grande decisão histórica e patriótica do nosso lado para resolver o futuro do Paraguai.

‘Presidente quer evitar derrota política e econômica’

O Paraguai é o maior fornecedor de cigarros contrabandeados para o Brasil e o atual presidente (Horacio Cartes) é dono da maior tabacaria do país. Como o sr. vê essa situação?

No nosso governo, combateremos toda forma de ilegalidade, seja de cigarros ou narcotráfico. Agora, também precisamos ter uma política de entendimento com o Brasil para controlar a fronteira. O contrabando tem muita relação com o crime organizado, ou seja, uns vendem e outros protegem o traslado, não apenas na fronteira, mas dentro do Brasil, para que o produto chegue ao mercado. No Paraguai, temos três temas de segurança diferentes: o EPP (guerrilha Exército do Povo Paraguaio), que podemos resolver por conta própria, com alguma cooperação internacional; a insegurança urbana e o crime organizado. 

Grupos criminosos como PCC e Comando Vermelho já têm membros vivendo no Paraguai. Como resolver o problema?

Essas organizações têm caráter global e temos de dar uma resposta no mesmo tom. Precisamos de um entendimento e um trabalho conjunto com Brasil e Argentina para controlar as fronteiras. É preciso fazer novos acordos para ter uma força-tarefa conjunta de controle e combate ao crime. 

É preciso mudar a estrutura policial paraguaia?

Sim. Temos de reformar a polícia e o Exército. Precisamos redesenhar nossas Forças Armadas com base nas demandas do mundo de hoje. Elas continuam formuladas com base nas necessidades da década de 60. Precisamos de Forças Armadas profissionais, pequenas e modernas, e isso requer investimento. Sabemos que temos limitações, mas a tarefa principal é o controle de fronteira. Por isso, precisamos de uma política comum com Brasil e Argentina. 

E o que o sr. pensa sobre a crise na Venezuela?

O desafio na Venezuela é a estabilidade institucional. É preciso devolver a democracia ao país. Essa é nossa grande tarefa na América Latina. Nosso partido é comprometido com a democracia, se caracteriza pela defesa dos direitos humanos e pelo combate a qualquer forma de ditadura. Hoje, a Venezuela pede que a gente devolva sua democracia, que está ameaçada pelo chavismo.

Como fazer isso?

Vamos cooperar com as organizações internacionais. Não é uma tarefa fácil. O Paraguai, como país pequeno, talvez não tenha a capacidade de resolver, mas faremos nossa parte.

Uma ação militar é viável?

Acho que é preciso ver as opções. Não quero opinar sem ter estudado com profundidade. Mas não podemos olhar para o outro lado enquanto jovens morrem e famílias sofrem. 

Cartes luta contra lei que combate o contrabando de cigarros no Paraguai

O que o sr. tem a dizer sobre as denúncias de irregularidades no Ministério de Obras Públicas, em 2013, época em que o sr. chefiou a pasta?

Não tenho nenhum processo por irregularidade. A oposição inventa histórias. A única questão que eles levantam se refere a uma estrada que nem precisaria existir e foi construída depois de minha administração. Vamos combater a corrupção, com a reforma judicial, e esse governo é muito comprometido com a Justiça. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.