EFE/Ernesto Arias
EFE/Ernesto Arias

Entrevista: ‘Se o Peru não der salvo-conduto, pode haver uma crise’

Concessão de asilo ao ex-presidente peruano Alan García por parte do Uruguai pode levar a atritos entre os países

Entrevista com

Arturo Maldonado, cientista político da PUC do Peru

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2018 | 05h00

O pedido de asilo feito pelo ex-presidente peruano Alan García ao Uruguai pode abrir uma crise entre os dois países, avalia o cientista político peruano Arturo Maldonado, da Pontifícia Universidade Católica do Peru, porque requer uma concessão de salvo-conduto por parte de Lima. Para o analista, o episódio também ressalta o papel do presidente Martín Vizcarra, que adotou discurso anticorrupção ao assumir o cargo, em março. 

Por que García escolheu o Uruguai para este pedido de asilo?

O mais provável é que tenha havido alguma negociação prévia com algum contato dele no governo uruguaio, mas sobretudo pela tradição uruguaia de ser um país um pouco mais permissivo na concessão desse tipo de asilo. 

García diz ser vítima de perseguição política. Esse argumento tem força?

Se há uma perseguição política, temos de perguntar por que ele voltou (na quinta-feira) ao país (ele vive na Espanha). Além disso, parte de sua defesa para conseguir o indulto é que ele ainda não foi indiciado, uma das condições para a concessão de asilo perante a Convenção de Caracas. Mas se ele não foi indiciado, pode dizer que está sendo perseguido? São dois argumentos contraditórios em relação ao que ele diz.

E o que acontece se o Uruguai não aceitar o pedido?

A situação dele (García) se complica bastante. Os procuradores poderiam pedir a prisão preventiva diante do perigo de fuga, o que para o Ministério Público parece manifestado.

Esse caso pode prejudicar as relações bilaterais entre o Peru e o Uruguai?

Sim, sem dúvida. Se o Uruguai aceita o asilo, o governo peruano precisa conceder um salvo-conduto para que García deixe a casa do embaixador. Se o Peru não conceder o salvo-conduto, aí poderia haver uma crise. Uma medida diplomática forte (por parte do Uruguai) estaria no horizonte, mas a diplomacia peruana é muito profissional e não deixaria a situação chegar a esse ponto. 

Como Vizcarra tem manejado o caso Odebrecht?

Muito bem. Desde o discurso de julho, ele incorporou a agenda anticorrupção e essa série de episódios (a prisão de Keiko e o caso García) aumentou a popularidade do presidente e o beneficia bastante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.