Envenenamento intencional de 600 afegãs faz escolas entrarem em alerta

Os talibãs, tradicionalmente opostos à educação feminina, foram apontados por intoxicações no passado, mas negam participação nestas ocorrências; autoridades locais investigam os crimes

EFE

07 Setembro 2015 | 10h10

Os colégios femininos da cidade de Herat, a terceira mais populosa do Afeganistão estão em alerta após o envenenamento premeditado de 600 alunas em oito dias e depois que outras 250 foram intoxicadas, informaram fontes oficiais.

As 250 estudantes envenenadas hoje, com idades entre 8 e 17 anos, foram hospitalizadas depois que apresentaram quadro de enjoo, vômito e dor de cabeça após possivelmente inalar um tipo de gás quando entraram nas salas de aula, disse à Agência Efe o porta-voz do Hospital Regional de Herat (HRH), Rafik Shirzai.

"Agora, a situação está controlada. As meninas estão melhor após receber tratamento", explicou Shirzai.

Já o porta-voz do governado de Herat, Ehsanullah Hayat, afirmou à Efe que as autoridades já estão trabalhando em um novo plano de segurança para as escolas.

"Durante os últimos dias, enviamos forças de segurança aos colégios, principalmente os femininos", ressaltou ele, ao reconhecer que há falta de efetivo para proteger todos os centros educacionais.

O governo local está realizando várias reuniões de emergência, embora ainda não tenha esclarecido as causas das intoxicações e quem está por trás delas.

"Estamos investigando seriamente o caso e continuamos em busca dos culpados", garantiu o porta-voz da Polícia de Herat, Abdul Rauf Ahmadi.

A educação feminina tem aumentado consideravelmente em Herat. Somente no ano passado, do total de candidatos a uma vaga na universidade, 55% era do sexo feminino.

Os casos de intoxicações em escolas para meninas são bastante frequentes no Afeganistão e costumam estar rodeados de mistério. Os talibãs, tradicionalmente opostos à educação feminina, foram apontados por estas intoxicações no passado, mas porta-vozes dos insurgentes negaram envolvimento nestes fatos e recentemente asseguraram que se governassem permitiriam que as mulheres estudassem.

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