Enviada da ONU entra em bairro sitiado da cidade síria de Homs

Chefe para questões humanitárias das Nações Unidas tem acesso ao distrito de Baba Amr, alvo de cerco das tropas do regime sírio nas últimas semanas.

BBC Brasil, BBC

07 de março de 2012 | 15h45

A chefe de questões humanitárias da ONU, Valerie Amos, conseguiu entrar nesta quarta-feira no bairro de Baba Amr, na cidade síria de Homs, semanas após um cerco das tropas do regime do presidente Bashar Al-Assad ao local.

Acompanhada por equipes do Crescente Vermelho (braço da Cruz Vermelha em países de maioria muçulmana), a enviada especial passou uma hora no distrito sitiado.

Baba Amr foi alvo de bombardeios do regime durante as últimas semanas. Equipes de ajuda humanitária aguardavam a liberação do governo para prestar auxílio à população.

O acesso foi liberado após reuniões da enviada das Nações Unidas com o chanceler sírio, Walid Muallim, que manifestou a intenção do regime de cooperar com as equipes humanitárias.

Integrantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) disseram, no entanto, que grande parte dos moradores deixou Baba Amr para regiões que já estão recebendo ajuda internacional.

Amos visitará ainda nesta quarta-feira outros distritos de Homs, reduto dos rebeldes sírios, antes de reunir-se com o chefe do Crescente Vermelho, Abdulrahman Attar, na quinta-feira, para determinar as necessidades mais urgentes da população afetada.

Nos últimos dias, as tropas de Assad retomaram a região, após semanas de intensos bombardeios. Ativistas acusam o regime de cometer execuções sumárias durante o cerco.

O Exército Livre da Síria (ELS) deixou Baba Amr na semana passada na esperança de, segundo as lideranças rebeldes, proteger os civis de mais atos de violência.

Mortes

Grupos da oposição relataram explosões em Idlib, no noroeste do país, e dizem temer que o regime passe a atacar o local enquanto as atenções internacionais estiverem voltadas para Homs.

Segundo ativistas, pelo menos 39 pessoas morreram em diferentes partes do país nesta quarta-feira, sendo 26 em Homs, seis em Idlib, três em Deraa e quatro em subúrbios de Damasco e Aleppo.

No fim de fevereiro, a ONU estimou em 7.500 o número de mortes na repressão do regime aos protestos que pedem a renúncia de Assad, iniciados há quase um ano.

Ação dos EUA

Ainda na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que a situação dos confrontos na Síria é "estarrecedora", mas descartou a possibilidade de uma intervenção militar unilateral dos Estados Unidos no país.

Obama disse que Assad deve cair, assim como outros líderes da região já caíram desde o início da Primavera Árabe. Segundo o presidente americano, intervir unilateralmente contra o regime de Damasco seria "um erro".

Washington disse ainda que trabalhará ao lado de seus aliados para atingir esse objetivo por meio da diplomacia, isolando o regime de forma política e econômica.

China e Rússia têm vetado esforços do Conselho de Segurança da ONU para aprovar uma resolução mais contundente contra o regime sírio.

Mais cedo nesta quarta-feira, Pequim confirmou ter retirado a maior parte de seus funcionários diplomáticos da Síria. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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