REUTERS/Marco Bello
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Enviado americano chega à Venezuela para discutir crise

Thomas Shannon deve ser reunir com representantes do governo chavista e da coalizão Mesa de Unidade Democrática

O Estado de S. Paulo

21 Junho 2016 | 18h01

CARACAS - Em meio à mobilização da oposição para validar as assinaturas para instalar o referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, o diplomata americano Thomas Shannon chegou nesta terça-feira, 21,  a Caracas para se reunir com representantes do governo chavista e da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD). 

Maduro elogiou a visita de Shannon - ex-embaixador americano no Brasil, que no ano passado participou de negociações com o governo chavista - e disse que ela pode ser o primeiro passo para amenizar as tensões com o governo americano, a quem frequentemente acusa de tentar derrubá-lo. 

"Acredito que é muito bom que tomemos os passos corretos para reconstruir as relações com os Estados Unidos", disse o presidente venezuelano. 

Por meio de nota, o Departamento de Estado declarou que a missão de Shannon em Caracas inclui reuniões com o governo e a oposição sobre os desafios políticos e econômicos do país, afetado por uma grave crise de escassez de alimentos e remédios, inflação, saques e contrabando

"O principal objetivo é ajudar a construir um diálogo com vários grupos para chegar a soluções", diz a nota. 

O secretário de Estado, John Kerry, anunciou na semana passada a viagem de Shannon a Caracas, depois de uma reunião com a ministra de Relações Exteriores Delcy Rodríguez. Há em Washington a expectativa de que o diplomata se reúna com Maduro, mas isso ainda não foi confirmado.

Referendo. Com grande participação de eleitores da oposição, a Justiça Eleitoral da Venezuela deu início à segunda fase da validação de assinaturas para o referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro. 

Milhares de pessoas se reuniram pelo segundo dia seguido nos centros de validação abertos pelo Conselho Nacional Eleitoral em todo o país. Ao todo, a oposição recolheu 1,8 milhão de assinaturas. Destas, 600 mil foram descartadas e o restante precisa ser validado para que a votação sobre se Maduro deve seguir na presidência ocorra. 

O secretário executivo da MUD, Jesus Chuo Torrealba, disse que 71 mil assinaturas já foram validadas. O CNE precisa de no mínimo 196 mil para que o processo avance de fase. Na próxima etapa, seriam necessárias 2 milhões de assinaturas. 

"A situação é complicada porque o CNE distribuiu de maneira maliciosa as máquinas de validação", disse Torrealba. 

A MUD denunciou ainda que representantes do partido Voluntad Popular, Francisco Márquez e Gabriel San Miguel, foram presos no fim de semana no Estado de Cojedes pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) por acompanhar a validação. 

A advogada dos dois, Elenis Rodríguez, disse que autoridades venezuelanas não permitiram que ela os contactasse. A governadora de Cojedes, a chavista Erika Farias, os acusou de tentar comprar as validações. / AP  

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