AHMAD ABDO / AFP
AHMAD ABDO / AFP

Enviado americano para coalizão de combate ao Estado Islâmico renuncia em protesto a Trump

Decisão foi tomada após retirada de tropas dos EUA da Síria; em 20 de dezembro, o Secretário de Defesa, Jim Mattis, renunciou por visões não alinhadas com o presidente americano

Da Redação, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2018 | 16h28

O enviado dos Estados Unidos, responsável pela coalizão global de luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico, Brett McGurk, de 45 anos, renunciou ao cargo em protesto à decisão do presidente Donald Trump de retirar as tropas americanas da Síria. Ele se junta ao Secretário de Defesa, Jim Mattis, em um êxodo de experientes oficiais da segurança nacional da Casa Branca. 

Apenas 11 dias atrás, McGurk disse que seria irresponsável considerar o Estado Islâmico derrotado e, por conta disso, seria equivocada a decisão de as tropas voltarem para casa. Inicialmente, ele deixaria o cargo em fevereiro de 2019, mas, por causa da ação de Trump, decidiu adiantar sua saída para 31 de dezembro deste ano.

McGurk, que está no posto desde 2015, quando foi indicado pelo então presidente dos EUA, Barack Obama, disse, em sua carta de renúncia, que os membros do EI estão em recuada, mas isso não significa que já estão derrotados e que esta decisão do chefe da Casa Branca é uma atitude prematura e poderia criar condições para o grupo terrorista crescer novamente. Sua saída, oficialmente, se dará em 31 de dezembro de 2018. Trump vai retirar todos os 2 mil soldados da Síria e declarou vitória contra o Estado islâmico, contradizendo seus próprios especialistaas. Muitos advogados chamaram sua atitude de apressada e perigosa. 

Mattis, Secretário de Defesa, provavelmente o mais respeitado oficial de política externa dentro da administração, anunciou, na última quinta-feira, que deixará o governo no fim de fevereiro porque "o senhor (Trump) tem o direito de ter um Secretário de Defesa que as visões são melhor alinhadas com as suas." 

McGurk, antes deste cargo, serviu como vice-secretário de Estado para Iraque e Irã, e, durante as negociações para o acordo nuclear do Irã, feito na presidência de Barack Obama, liderou negociações secretas com Teerã para soltura de americanos presos por lá. Ele chegou a ser considerado para o cargo de embaixador dos EUA no Iraque e trabalha na região há mais de dez anos. 

Para substituí-lo, o tenente general aposentado Terry Wolf, que serviu no Iraque, assumirá o cargo, por enquanto. Para assumir a vaga, posteriormente, o veterano diplomata, que foi designado como representante especial da Síria em agosto deste ano, Jim Jeffrey, é o mais cotado, dizem oficiais. / EFE / AP 

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