Enviado brasileiro da ONU chega a Mianmá

Paulo Sérgio Pinheiro vai investigar as condições dos direitos humanos no país

AP

11 de novembro de 2007 | 06h20

O enviado da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, chegou neste domingo a Mianmá,  a antiga Birmânia, para visitar  prisões do país e determinar o número de pessoas mortas e detidas durante a  repressão da Junta Militar aos protestos pela democracia no país em setembro.  O brasileiro, que estava impedido de entrar em Mianmá desde novembro de 2003, afirmou que se não tiver apoio do governo  em suas investigações, deve interromper a visita. "Se eles não cooperarem comigo por completo, pegarei o avião e vou embora", disse recentemente, depois da Junta Militar ter permitido uma visita de cinco dias a Mianmá.Pinheiro tem um histórico de relações complicadas com os generais. Ele interrompeu bruscamente uma visita em 2003 após encontrar um aparelho de escuta em uma prisão enquanto entrevistava presos políticos. Mais tarde naquele ano, o brasileiro acusou a Junta  de recorrer a "desculpas absurdas" para manter os oposicionistas na prisão. O enviado submeteu uma proposta de itinerário de sua visita ao governo de Mianmá. A viagem de Pinheiro acontece três dias depois da  partida do enviado especial da ONU Ibrahim Gambari, que tentou durante uma visita de seis dias dar início a conversas entre a Junta e a oposição democrática.  Como resultado da viagem do nigeriano, os militares permitiram na última sexta feira que  a líder da oposição democrática, Aung San Suu Kyi, mantida em prisão domiciliar a 12 anos, se reunisse com membros de seu partido.  Por meio de um porta-voz, Suu Kyi disse  estar bastante otimista com as perspectivas de diálogo com o governo.  Segundo Pinheiro, sua visita foi encorajada pelo encontro de Suu Kyi com seus correligionários. "Estou muito feliz", disse em Bangcoc, na Tailândia, antes de embarcar  para Rangún. "O embaixador Gambari fez um bom trabalho e estou feliz que ela tenha conseguido encontrar seus colegas".  O regime militar reprimiu o partido de Suu Kyi depois da vitória da oposição democrática nas eleições de 1990. A Junta não respeitou o resultado, fechou escritórios e atacou oposicionistas. Os generais são freqüentente criticados por conta de abusos dos direitos humanos no país. Nas manifestações de setembro, a Junta firma que  10 pessoas foram mortas. Para diplomatas e dissidentes, no entanto, este número é bem maior.Pinheiro citou fontes as quais garantem que entre 30 e 40 monges budistas e 50 a 70 civis morreram nas mãos da repressão. . 

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