Enviado da ONU a Mianmar manifesta 'otimismo contido'

Depoimento de Ibrahim Gambari ocorre após anúncio de que opositores não aceitam oferta de junta militar

Agências internacionais,

05 de outubro de 2007 | 14h47

O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) a Mianmar, Ibrahim Gambari, manifestou nesta sexta-feira, 5, um "otimismo contido" com relação à oferta do líder da junta militar birmanesa, general Than Shwe, de reunir-se com a líder oposicionista Aung San Suu Kyi, mediante condições.  Veja também: Oposição birmanesa rejeita proposta de diálogo com militares Entenda a crise e o protesto dos monges  Em depoimento perante o Conselho de Segurança (CS) da ONU depois de uma visita de quatro dias a Mianmar, Gambari pediu nesta sexta-feira "flexibilidade máxima" para que a reunião entre Than Shwe e San Suu Kyi ocorra o mais rápido possível. As palavras do enviado foram precedidas por informações de que o principal grupo de oposição de Mianmar, ligado a Suu Kyi, rejeitou a oferta de diálogo. Segundo ele, "este é o momento de uma oportunidade histórica para Mianmar". Gambari foi enviado ao isolado país asiático depois de uma violenta campanha de repressão do governo birmanês para dissipar manifestações que transcorriam pacificamente. Os comentários de Gambari foram feitos logo depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ter conclamado a junta militar que governa Mianmar a "adotar medidas ousadas na direção da democratização e do respeito pelos direitos humanos". "Devo reiterar que o uso da força contra manifestantes pacíficos é abominável e inaceitável", disse Ban perante o CS da ONU nesta sexta-feira. 'Contidamente encorajado' Gambari, por sua vez, declarou-se "contidamente encorajado" pelo anúncio divulgado na quinta-feira pela junta de que o general Than Shwe receberá San Suu Kyi caso ela abandone sua postura de confronto ao governo e pare de pedir a imposição de mais sanções internacionais contra o empobrecido país. Ainda de acordo com ele, "outra medida necessária para um diálogo nacional genuíno é a libertação de todos os presos políticos, especialmente os doentes e os idosos". Gambari também alertou o governo do país asiático sobre uma grave repercussão internacional da crise. O enviado afirmou que a comunidade internacional está preocupada com os "relatos...de abusos cometidos por forças de segurança e elementos sem farda, particularmente à noite durante o toque de recolher, incluindo operações de busca em casas de particulares, espancamentos, prisões arbitrárias e desaparecimentos". Por fim, ele disse haver informações não confirmadas de que o número de vítimas é "muito mais alto" do que as cerca de 12 mortes relatadas pelas autoridades. Ban enviou Gambari a Mianmar depois de soldados terem reprimido violentamente os protestos na semana passada. Segundo o governo, dez pessoas morreram na repressão, mas grupos dissidentes denunciam que cerca de 200 pessoas teriam morrido e 6.000 sido detidas. Novas sanções Os Estados Unidos ameaçam buscar novas sanções contra Mianmar no CS da ONU, inclusive um embargo de armas, apesar de China e Rússia se oporem por considerarem que os recentes acontecimentos não representam ameaça à paz e à segurança internacionais. Em Mianmar, a junta admitiu nesta sexta que mais de 500 monges budistas foram detidos durante a repressão, mas informou que a maioria foi libertada e que 109 continuam sob custódia das autoridades. Um anúncio feito pelo governo na tevê estatal dizia também que as forças de segurança estão em busca de quatro monges foragidos que lideraram os protestos da semana passada. Segundo o anúncio, um representante da junta reuniu-se com líderes budistas em Rangum nesta sexta-feira e pediu a eles que "exponham os quatro monges que tiveram participação destacada nos protestos". A identidade dos monges procurados não foi revelada. A divulgação da notícia, que enfatiza a reunião entre um representante da junta e os monges, parece ter como objetivo deixar claro que os generais têm alta estima pelo clero budista e estão em busca de monges específicos.

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