Enviado da ONU chega a Mianmá com mensagem para militares

16 pessoas morreram, cerca de 200 ficaram feridas e mais de 1.000 foram detidas, entre elas 800 monges

EFE

29 de setembro de 2007 | 09h46

O enviado especial da ONU Ibrahim Gambari neste sábado, 29, a Yangun, a maior cidade de Mianmá (antiga Birmânia), para entregar à Junta Militar do país uma mensagem em que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pede o fim da violência contra as manifestações pacíficas. Gambari, que não visitava Mianmá desde novembro de 2006, já que não lhe concediam visto de entrada, disse em Cingapura, antes de partir para Yangun, que, desta vez, espera que a visita seja "muito frutífera".   Embora o regime militar não tenha divulgado publicamente a agenda do diplomata no país, especula-se que ele viajará do aeroporto de Yangun direto para Napydaw, a nova capital de Mianmar, construída por engenheiros norte-coreanos num território 400 quilômetros ao norte e inaugurada no ano passado.   Em Cingapura, o enviado especial da ONU, de origem egípcia, também disse que esperava poder se reunir com todas as pessoas com as quais tinha que falar, em alusão, pelo menos, ao "homem forte" do país, o general Than Shwe, e à líder do movimento democrático birmanês, Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1991.   A presença de Gambari no país com uma mensagem de contenção e diálogo não impediu que as tropas do Exército dessem continuidade à repressão violenta contra as manifestações. Neste sábado, em Yangun, soldados atiraram e lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra um protesto que começou com cerca de 2.000 pessoas e chegou a reunir 10.000 birmaneses.   Até o momento, não há informações sobre vítimas nos confrontos com os militares, mas uma criança morta e duas pessoas atingidas por tiros deram entrada num hospital local, segundo a rádio "Mizzima".   Desde quarta-feira, quando o regime militar de Mianmá começou a dispersar protestos e a proibir concentrações públicas, pelo menos 16 pessoas morreram, cerca de 200 ficaram feridas e mais de 1.000 foram detidas, entre elas 800 monges, em todo o país. Entre os mortos há dois estrangeiros, um deles um repórter japonês, e vários religiosos. Mianmá é governada por militares desde 1962. Em 1990, o país chegou a realizar eleições parlamentares, mas, como o partido governista perdeu para a Liga Nacional para a Democracia (LND), liderada pela opositora Aung San Suu Kyi, o resultado do pleito foi anulado.

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