Enviado da ONU chega a Mianmar para propor reformas

Ibrahim Gambari faz sua segunda visita ao país desde o início dos protestos contra o governo militar

EFE

03 de novembro de 2007 | 14h46

O enviado especial da ONU para Mianmar, Ibrahim Gambari, chegou neste sábado, 3, a Rangun, em meio às criticas à Junta Militar por causa da decisão de expulsar o chefe da missão das Nações Unidas no país. Fontes da ONU em Bangcoc afirmaram que Gambari, que chegou em um vôo vindo da Turquia, irá para Naypyidaw, a nova capital e a sede da cúpula militar que governa Mianmar.   Trata-se da segunda visita de Gambari após a realizada em setembro, devido à repressão exercida pelo regime contra as manifestações pacíficas a favor da democracia.   Gambari deverá se encontrar novamente com o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, e com a vencedora do prêmio Nobel Aung San Suu Kyi, presa em regime domiciliar desde 2003, mas não se sabe com exatidão a agenda do diplomata nigeriano.   Fontes da Liga Nacional pela Democracia (LND), principal partido de oposição, presidido por Suu Kyi, afirmaram que seu Comitê Executivo está preparado para se reunir com Gambari durante a viagem."Discutiremos a atual situação política e as mudanças exigidas em Mianmar. Pediremos ainda a Gambari que não apenas ouça, mas atue e estabeleça um diálogo entre a LND e o governo militar", disse Nyan Win, o porta-voz da LND, à imprensa da dissidência birmanesa. Win disse também que o Comitê pedirá a Gambari que faça o possível para convencer a Junta Militar a libertar Suu Kyi.   Outro ponto-chave da visita será a questão dos milhares de detidos durante os protestos, um assunto que preocupa o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que deu as últimas instruções a Gambari na sexta-feira, na Turquia. Para a LND, a missão de Gambari só terá sucesso se seus encontros com a oposição acontecerem sem a presença de policiais ou funcionários do governo, o que não ocorreu na passagem anterior do Enviado.   Gambari visita Mianmar pouco depois de a Junta Militar ter "humilhado" a ONU com o anúncio da expulsão de Charles Petrie como representante do escritório das Nações Unidas em Mianmar. Petrie, que pode ser expulso do país, foi acusado pela cúpula militar birmanesa de "denegrir a imagem da nação", depois que o diplomata denunciou em comunicado a deterioração da situação humanitária.   A medida foi denunciada neste sábado por Cingapura, Estado que preside a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) - organismo regional do qual Mianmar faz parte -, e que sediará a cúpula de líderes do órgão em novembro.   Além disso, Gambari, que planejava coordenar com Petrie a aplicação do plano de reconciliação nacional da ONU, encontrará um país mais isolado, após o novo corte dos serviços de internet promulgado na quinta-feira pela Junta Militar.   Segundo os analistas, com essas medidas, a Junta Militar segue a postura de "um passo à frente e dois atrás", no qual Than Shwe é considerado um mestre. Os analistas acham que o militar, símbolo da "linha dura" do regime, conseguiu neutralizar em setembro grande parte da agenda de Gambari, que foi "forçado" a comparecer a vários seminários governamentais enquanto Than Shwe adiava a reunião que os dois acabaram tendo em Naypyidaw.   Organizações em defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, pediram que Gambari vá "ao centro do assunto, que é o fim do violento regime militar e do abuso sistemático dos direitos humanos". A brutalidade dos militares birmaneses, no poder há mais de 40 anos, ficou evidente na mobilizações de setembro, nas quais cerca de 200 pessoas morreram, segundo a dissidência, devido aos tiros e agressões das forças da ordem.

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