Enviado da ONU deixa campo de refugiados em Darfur sob protestos

O subsecretário para Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Jan Egeland, foi obrigado a deixar um campo de refugiados na conflituosa região sudanesa de Darfur após violentos protestos de deslocados.Segundo informou nesta segunda-feira a imprensa sudanesa, Egeland e jornalistas estrangeiros fugiram do acampamento de Kalma, no sul de Darfur, pois temiam ser agredidos pelos manifestantes que protestavam para exigir que a comunidade internacional os proteja.O regime do presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, rejeitou várias vezes a mobilização de tropas da ONU em Darfur, onde as milícias árabes dos Janjaweed, apoiadas pelo governo, lutam contra os grupos rebeldes da região.Egeland, que iniciou no domingo uma visita a Darfur, descreveu a situação na região e especialmente na zona de Qarida como "extremamente grave".Além disso, o responsável internacional pediu que se facilite a chegada de trabalhadores humanitários a esta região, "tal como estipula o acordo de paz assinado pelo governo sudanês e o principal grupo rebelde, o Movimento de Libertação do Sudão".Egeland também pediu ao governo de Cartum que deixe de pôr obstáculos aos esforços das organizações internacionais na região.O Movimento para a Justiça e a Igualdade e o Movimento de Libertação do Sudão pegaram em armas em fevereiro de 2003 em protesto contra a pobreza e a marginalização imposta pelo governo a Darfur, região localizada na fronteira com o Chade.No conflito, considerado pela ONU como um dos maiores desastres humanitários deste século, mais de 200 mil pessoas morreram e milhões de sudaneses foram obrigados a se deslocar para outras regiões do Sudão ou a emigrar para o Chade.

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