Enviado da ONU deixa Mianmá sem revelar teor de negociação

Gambari reuniu-se separadamente com chefe da junta e líder da oposição

AP, Reuters e AFP, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

O nigeriano Ibrahim Gambari, enviado especial da ONU a Mianmá, a antiga Birmânia, reuniu-se ontem com Than Shwe, chefe da junta militar que governa o país, e com Aung San Suu Kyi, líder da oposição. Em seguida, ele deixou o país sem dar entrevistas. Assim, não se sabe o que Gambari discutiu com os militares e nem se conseguiu algum abrir um diálogo entre Shwe e Suu Kyi.Depois de mais um dia de calma nas ruas das principais cidades do país, o governo anunciou ontem uma redução de duas horas no toque de recolher - que antes era das 21 horas às 5 horas e agora vai das 22 horas às 4 horas. A diminuição é interpretada como um sinal de que os generais estão confiantes de que conseguiram conter a onda de protestos.Tony Banburry, diretor do setor asiático do Programa Mundial de Alimentos da ONU confirmou ontem a informação de que há pelo menos mil pessoas trancadas nas instalações do Instituto Tecnológico de Rangum. De acordo com um funcionário do governo birmanês, o número de presos chegaria a 1.700 - 500 deles, monges budistas.A agência de notícias Associated Press informou ontem que boa parte dos moradores de Rangum está desligando os televisores durante os noticiários da TV estatal de Mianmá. ''''Essa é a atitude menos perigosa que podemos tomar'''', disse um morador ouvido pela AP. Com os serviços de internet ainda interrompidos e a vigilância constante do Exército, os birmaneses têm divulgado essa forma de protestos na base do boca-a-boca.Quem também se mostrou preocupado com a crise em Mianmá foi Sylvester Stallone, astro do cinema americano, que acabou de finalizar as gravações das cenas do quarto filme da série Rambo, filmado na selva birmanesa. Stallone disse que presenciou o início dos conflitos. ''''Aquilo é um buraco do inferno'''', afirmou.

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