Enviado da ONU diz que Síria tem duas opções: acordo ou 'inferno'

Lakhdar Brahimi afirma que conflito está mais 'militarizado e sectário'

BBC Brasil, BBC

29 de dezembro de 2012 | 19h24

A Síria enfrenta uma escolha difícil entre adotar uma solução política para acabar com os 21 meses de derramamento de sangue ou descer ao "inferno" - afirmou o enviado especial da ONU ao país Lakhdar Brahimi.

Após participar de negociações de paz em Moscou, Brahimi disse que o conflito sírio se tornou mais militarizado e sectário.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, apoiou Brahimi afirmando que um acordo é a única solução possível.

Lavrov disse porém que a queda do presidente Bashar al-Assad não pode ser uma condição para a negociação, como defende a oposição síria.

Brahimi viajou à Rússia após uma rodada de negociações com Assad em Damasco. Ele expressou preocupação com a escalada da guerra no país.

Afirmou ainda que os combates no país podem se tornar "um conflito majoritariamente sectário, com consequências desastrosas para a população síria".

A guerra poderia ainda levar o caos para países vizinhos, tais como o Líbano e a Jordânia - para onde houve um grande fluxo de refugiados, segundo o enviado da ONU.

"As únicas alternativas são realmente o inferno ou o processo político. Por isso temos que trabalhar intensamente pelo processo político", disse Brahimi.

"A magnitude do problema que existe agora e a magnitude do problema que existirá amanhã não podem ser ignoradas".

Brahimi tenta encontrar uma saída para a crise com base em um plano de paz aprovado em uma conferência internacional em junho. Contudo, a estratégia não deixa clara a futura situação de Assad.

Impasse

Tanto Brahimi quanto Lavrov concordaram que um fim negociado para o conflito ainda é possível. Mas, nenhum deles sugeriu solução para o atual impasse.

Lavrov disse que a exigência da oposição para que Assad seja tirado do poder está "errada" e a recusa dos rebeldes em negociar com o governo leva o processo a um "beco sem saída".

Na sexta-feira, Lavrov anunciou que a Rússia aceitou tomar parte em negociações com a oposição síria.

Os rebeldes rejeitaram a oferta russa e afirmaram que o país deve se desculpar por apoiar Assad.

A Rússia, o mais poderosa aliada de Assad, é uma peça chave no processo de negociação de paz.

Rebeldes contrários a Assad têm combatido forças do governo nos últimos 21 meses. Eles afirmaram que mais de 44 mil pessoas morreram nos conflitos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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