Enviado da ONU inicia segundo dia de trabalhos em Mianmar

Mianmar é governada pelos militares desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990

EFE,

04 de novembro de 2007 | 05h44

O enviado especial da ONU para Mianmar (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, iniciou neste domingo, 4, sua segunda jornada de trabalho no país asiático, onde realiza uma visita de cinco dias para criar canais de diálogo entre a Junta Militar e a oposição. Gambari se encontra desde o sábado em Naypyidaw, a nova capital e sede da cúpula militar que governa Mianmar. Apesar de não terem divulgado o conteúdo e resultado dos primeiros contatos mantidos por Gambari, algumas fontes assinalam que hoje ele se reuniu com o ministro do Trabalho, Aung Kyi, designado pela Junta Militar para trabalhar como interlocutor com a vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Suu Kyi, líder da oposição birmanesa, se encontra em prisão domiciliar desde 2003. Porta-vozes da ONU indicaram que na próxima terça-feira Gambari deve se reunir com Suu Kyi e com representantes de sua Liga Nacional para a Democracia, a principal legenda da oposição. No entanto, ainda é uma incógnita se o diplomata nigeriano conversará com o líder da Junta Militar, o general Than Shwe, com quem já se reuniu em sua primeira visita a Mianmar, após as manifestações de setembro duramente reprimidas pelas forças de segurança. Além disso, a visita de Gambari acontece depois de a ONU anunciar que o regime militar tinha decidido suspender a representação de Charles Petrie como chefe da missão do organismo em Mianmar. Petrie, que pode ser expulso do país, foi acusado pela cúpula militar birmanesa de interferir nos assuntos internos do país, depois de o diplomata denunciar a deterioração da situação humanitária em comunicado. A repressão das manifestações pacíficas em Yangun e outras cidades birmanesas causaram a morte de pelo menos 10 pessoas, segundo a Junta Militar, embora a oposição no exílio assegure há mais de 200 vítimas fatais. Mianmar é governada pelos militares desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990, quando o partido oficial perdeu de maneira arrasadora para uma coalizão opositora encabeçada por Suu Kyi.

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