Enviado da ONU se reúne com líder da oposição em Mianmá

Mosteiros cercados pelo Exército e ruas ocupadas diminuem os protestos

AP e Reuters, Rangum, Mianmá, O Estadao de S.Paulo

01 de outubro de 2007 | 00h00

O enviado da ONU Ibrahim Gambari se reuniu ontem com Aung San Suu Kyi, líder oposicionista de Mianmá, a antiga Birmânia. A visita foi autorizada pela junta militar que governa o país. O gesto pode ser considerado uma surpresa, já que os militares raramente permitem visitas a Aung, que cumpre prisão domiciliar em Rangum e vive confinada em uma casa sem telefone. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, ela foi vista em público pela última vez em maio de 2003 e não recebia visitas de estrangeiros havia dez meses.O encontro aconteceu após Gambari ter retornado da capital Naypyidaw, onde reuniu-se com os generais Thein Sein, primeiro-ministro em exercício, Khin Aung Nyint, ministro da Cultura, e Kyaw Hsan, ministro da Informação. Ainda não se sabe quando o enviado da ONU se encontrará com o general Than Shwe, homem forte de Mianmá.Nem Gambari nem os militares fizeram qualquer comentário sobre o avanço das negociações para acabar com a repressão aos oposicionistas, que na semana passada promoveram os maiores protestos dos últimos 20 anos no país. Ontem, o governo admitiu que dez pessoas morreram na quarta-feira, primeiro dia da repressão - até então, o número oficial era de três mortos. A ONG Asian Human Rights, de Hong Kong, afirmou que na última semana o Exército prendeu pelo menos 700 monges e 500 civis. De acordo com grupos dissidentes, na madrugada de sábado para domingo, 20 mil soldados entraram em Rangum para reforçar a segurança na maior cidade birmanesa.O domingo foi calmo em Mianmá. Não havia multidões significativas nas ruas das principais cidades. O Exército espalhou barreiras em volta dos principais templos budistas e continuou a cercar os mosteiros, impedindo a saída de monges, que encabeçam as manifestações. Soldados e policiais se posicionaram em quase todas as esquinas da cidade e realizaram uma minuciosa operação de revista das pessoas que circulavam pelas ruas, procurando câmeras e celulares. A internet, usada por muitos dissidentes para enviar informações sobre a repressão, permaneceu fora do ar.

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