Enviado da ONU se reuniu com talebans, diz funcionário

Um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU), que falou em condição de anonimato, disse que o enviado da organização no Afeganistão, Kai Eide, se reuniu com integrantes do Taleban em Dubai, nos Emirados Árabes, neste mês.

AE, Agencia Estado

29 de janeiro de 2010 | 16h23

"O Taleban fez sondagens junto ao Representante Especial para discutir negociações de paz", disse o funcionário. "Esta informação foi compartilhada com o governo afegão e a ONU espera que o governo afegão tire proveito dessa oportunidade".

O funcionário não revelou quais integrantes do grupo militante participaram da reunião, mas afirmou que eram "membros ativos da insurgência" e que a reunião foi realizada por causa de um pedido do Taleban.

Perguntado sobre o caso, o porta-voz de Eide, Aleem Siddique, disse que "o Representante Especial nunca comentou se ele havia tido contado com o Taleban no passado e ele não vai começar a falar sobre isso agora".

Eide, que vai deixar o cargo de enviado para o Afeganistão da ONU em março, foi um importante delegado na Conferência de Londres. Nesta semana, representantes de 70 países debateram temas relacionados ao Afeganistão, como a retirada gradual das tropas estrangeiras no país e o plano do presidente afegão, Hamid Karzai, de convencer militantes do Taleban a se desarmarem.

Propostas para o Afeganistão

As discussões se concentraram em como estabilizar o Afeganistão e fortalecer Karzai - que foi reeleito em novembro num pleito marcado pela corrupção - bem como a reconciliação com os militantes que desejam parar de lutar contra o governo.

A conferência foi considerada propaganda pelo Taleban, a quem Karzai havia convidado para participar das conversações. Um fundo internacionalmente apoiado, que deve chegar a US$ 500 milhões, foi a principal plataforma das propostas de Karzai na conferência. Karzai disse no fórum que o Afeganistão e seus apoiadores ocidentais precisam "se aproximar de todos os homens do país, especialmente nossos irmãos desencantados que agora são parte da Al-Qaeda".

O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse que US$ 140 milhões foram prometidos para o primeiro ano do fundo. "Esse dinheiro é para assegurar que há infraestrutura apropriada que permita a reintegração", disse ele à televisão BBC. Ele disse o fundo também vai fornecer "segurança, de maneira que as pessoas que deixarem a insurgência e voltem às suas comunidades fiquem protegidas, porque obviamente o Taleban irá atrás deles".

A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton disse acreditar que o plano vai funcionar. "Esperamos que vários soldados dos campos de batalha deixem o Taleban porque muitos deles querem deixar os combate, muitos deles estão cansados de lutar. Acreditamos a maré se voltou contra eles", disse ela.

As informações são da Dow Jones.

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